Pular para o conteúdo principal

O Zezé

Ontem fiz uma vista ao Bar do Zezé, que ficou conhecido através do Comida di Buteco. Aliás, o bar não existia antes disso, era uma mercearia com algumas mesas apenas. Já na primeira participação no CDB, o bar levou o primeiro lugar e não parou mais. Em 7 anos de participação, foi duas vezes o primeiro lugar, três o segundo, uma no terceiro e uma para o quarto lugar. É um sucesso, sem dúvidas. E também não tenho a intenção de discutir isso.
Em nossa conversa, entre causos e histórias, Zezé por algumas vezes ficou corado de emoção ao falar de sua vida. Já eu, fiquei uma única vez, mas não só corada, junto veio o arrepio, a palpitação e tudo mais que um momento de emoção permite.
O motivo disso tudo eu explico. Perguntei a Zezé qual era o segredo de tanto sucesso e tive como resposta o que já esperava: amor ao que faz, união da família, acreditar no sonho, etc. Fiquei satisfeita com a resposta, era o que queria ouvir. Adiante na prosa e Zezé me conta, com a maior naturalidade, como foi a relação com a fiel clientela quando a mercearia se transformou em bar.
“Meus clientes eram do tipo cadernetinha, anotavam tudo lá e vinham no princípio do mês acertar a conta. Pagavam a soma do mês anterior e anotavam novamente. Era sempre assim. Quando a mercearia acabou, eu não podia cobrar tudo deles, pois eles iam precisar de dinheiro para comprar em outro lugar. Menina, dinheiro de pobre é contado! Então, combinei com eles que iriam me pagar uma parte, o que pudessem. Assim, iam ter dinheiro para as compras daquele mês”
Eis a receita de sucesso dele. Com essa resposta não fiquei satisfeita, mas completamente encantada. Gente, descobri que Zezé é o cara. Gente, o mundo precisa de mais caras assim.

Vale uma visita ao bar e, principalmente, a Zezé
Rua Pinheiro Chagas, 406 - Barreiro de Baixo
Belo Horizonte - MG
Tel: (31) 3384 2444

Comentários

Mattosquela disse…
Nossa deu muita vontade de conhecer, e de provar os quitutes também!!!

Postagens mais visitadas deste blog

Assa peixe em Sabará

No final de novembro do ano passado estive em Sabará, bem pertinho da capital mineira, para participar do 27º Festival da Jabuticaba. Na época estava em uma correria e acabei não falando uma linha sobre o assunto aqui no blog. E agora vasculhando alguns arquivos achei um material bacana, receitas e dicas que vale contar para vocês. Além de servir de inspiração para participar do próximo festival, a cidade merece ser visitada sempre, pois os produtores artesanais, restaurantes e cozinheiros estão preparados para receber o ano todo. Para começar, preciso contar a minha maior surpresa por lá, o assa peixe frito. É feito pelo cozinheiro Manoel Ferreira, que trabalha no restaurante do Parque Quinta dos Cristais . Ele conta que aprendeu a cozinhar com a mãe, que o ensinou não só o ofício, mas também o prazer em degustar e identificar os sabores presentes em cada garfada. Para quem não conhece (assim como eu não conhecia), o assa peixe é uma urtiga, muito usada como planta medici...

Dona Conceição

O texto de hoje não é uma indicação do novo restaurante da cidade. Muito menos uma receita imperdível para o jantar de logo mais. É sobre a responsável por minha paixão pela cozinha, Dona Conceição. Hoje ela completa 86 bem vividos anos e tenho a honra de tê-la como exemplo há 32. Vovó representa para mim duas importantes bandeiras: cozinhar com amor e a força da mulher. Pode parecer até um pouco contraditório colocar esses assuntos juntos, mas não é. Apesar dela ter cozinhado muito por imposição, o que ela me ensinou foi o ato de cozinhar por prazer. Me ensinou que eu poderia fazer isso por gostar e não por ser obrigada. Acho que ela conseguiu, com enorme sabedoria, extrair dos tachos de comida para mais de cinquenta pessoas o que há de mais belo na culinária: doar-se através da comida. Ela pilava o próprio arroz e não sentiu só a dor nos braços com o esforço, mas a gratidão por ter o alimento em casa. Fazia seus queijos, moldava em antigas formas de madeira, deixava o tempo...

Lenda do bacuri

Outra lenda interessante é sobre a origem do bacuri. Dizem que, certo dia, na floresta, apareceu a cabeça de um índio caxinauá, que havia sido degolado por um de seus companheiros. A cabeça aterrorizava a tribo com exigências que deveriam ser cumpridas para evitar que não lhes fosse tirada a vida. Todos deviam buscar, na floresta, um fruto amarelo escuro e manchado, com casca dura e uma polpa deliciosa, vindo de uma árvore cheia de flores avermelhadas. Os índios obedeceram às ordens por muito tempo até que um dia alguém resolveu experimentar o fruto, sendo seguido por todos os outros índios. A cabeça ficou muito brava e se transformou na Lua. Depois disso, sempre que comiam a fruta, davam as costas para Lua.