Pular para o conteúdo principal

Minas no Madrid Fusión é conspiração



Sim, a participação de Minas Gerais no principal evento da gastronomia mundial – Madrid Fusión – é pura conspiração. O Estado irá representar o Brasil como cozinha convidada no festival que começa no próximo dia 21. É a primeira vez, em 11 edições, que uma culinária local é homenageada e não um país.

Irão nos representar chefs importantes no cenário mineiro, mas, acima de tudo, pessoas que acreditam na valorização dessa gastronomia como nossa cultura, nossa história. Pessoas que se preocupam com os processos artesanais, a origem da matéria prima, o produtor rural. Pessoas que conseguem refletir tudo isso em uma cozinha moderna, capaz de mostrar ao mundo os sabores de nossas montanhas.

São eles: Dona Lucinha (Dona Lucinha), Edson Puiati (Senac Minas), Eduardo Avelar (Conspiração Gastronômica), Eduardo Maya (Comida di Buteco), Felipe Rameh e Frederico Trindade (Trindade), Guilherme Melo (Hermengarda), Ivo Faria (Vecchio Sogno), Leonardo Paixão (Taste-Vin), Nelsa Trombino (Xapuri), Pablo Oazen (Assunta) e Rafael Cardoso (Atlântico).

A Conspiração Gastronômica é uma Oscip que tem lutado de várias formas para preservar e promover a culinária mineira. E, em busca disso, quando esteve na última edição do Madrid Fusión a entidade deu início ao projeto de participação para esse ano. Ao longo dessa jornada alguns obstáculos foram surgindo, mas nada que os intimidassem. Hoje, com apoio do Governo de Minas, estão de partida não só os conspiradores, mas também nossos queijos, cachaça e café. E esse é só o começo...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Assa peixe em Sabará

No final de novembro do ano passado estive em Sabará, bem pertinho da capital mineira, para participar do 27º Festival da Jabuticaba. Na época estava em uma correria e acabei não falando uma linha sobre o assunto aqui no blog. E agora vasculhando alguns arquivos achei um material bacana, receitas e dicas que vale contar para vocês. Além de servir de inspiração para participar do próximo festival, a cidade merece ser visitada sempre, pois os produtores artesanais, restaurantes e cozinheiros estão preparados para receber o ano todo. Para começar, preciso contar a minha maior surpresa por lá, o assa peixe frito. É feito pelo cozinheiro Manoel Ferreira, que trabalha no restaurante do Parque Quinta dos Cristais . Ele conta que aprendeu a cozinhar com a mãe, que o ensinou não só o ofício, mas também o prazer em degustar e identificar os sabores presentes em cada garfada. Para quem não conhece (assim como eu não conhecia), o assa peixe é uma urtiga, muito usada como planta medici...

Dona Conceição

O texto de hoje não é uma indicação do novo restaurante da cidade. Muito menos uma receita imperdível para o jantar de logo mais. É sobre a responsável por minha paixão pela cozinha, Dona Conceição. Hoje ela completa 86 bem vividos anos e tenho a honra de tê-la como exemplo há 32. Vovó representa para mim duas importantes bandeiras: cozinhar com amor e a força da mulher. Pode parecer até um pouco contraditório colocar esses assuntos juntos, mas não é. Apesar dela ter cozinhado muito por imposição, o que ela me ensinou foi o ato de cozinhar por prazer. Me ensinou que eu poderia fazer isso por gostar e não por ser obrigada. Acho que ela conseguiu, com enorme sabedoria, extrair dos tachos de comida para mais de cinquenta pessoas o que há de mais belo na culinária: doar-se através da comida. Ela pilava o próprio arroz e não sentiu só a dor nos braços com o esforço, mas a gratidão por ter o alimento em casa. Fazia seus queijos, moldava em antigas formas de madeira, deixava o tempo...

Lenda do bacuri

Outra lenda interessante é sobre a origem do bacuri. Dizem que, certo dia, na floresta, apareceu a cabeça de um índio caxinauá, que havia sido degolado por um de seus companheiros. A cabeça aterrorizava a tribo com exigências que deveriam ser cumpridas para evitar que não lhes fosse tirada a vida. Todos deviam buscar, na floresta, um fruto amarelo escuro e manchado, com casca dura e uma polpa deliciosa, vindo de uma árvore cheia de flores avermelhadas. Os índios obedeceram às ordens por muito tempo até que um dia alguém resolveu experimentar o fruto, sendo seguido por todos os outros índios. A cabeça ficou muito brava e se transformou na Lua. Depois disso, sempre que comiam a fruta, davam as costas para Lua.