sexta-feira, 15 de abril de 2011

Eu boteco, tu botecas e nós, Comida di Buteco


Carne de sol, peixes do Rio São Francisco, feijão andu, requeijão escuro, buriti, cagaita, seriguela, pequi, rapadura, sementes de coentro fresca e manteiga de garrafa. Começa hoje o evento que combina cultura, comida boa, cerveja gelada e amigos. Em sua 12ª edição, o Comida di Buteco em Belo Horizonte homenageia o Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas com 11 ingredientes especiais.

Além da capital mineira, o evento acontece simultaneamente em mais 15 cidades do Brasil. E em uma delas, Juiz de Fora, estarei como jurada. Estou de partida para lá hoje, mas semana que vem já estou de volta para dar conta de 41 bares em Beagá.

Eu boteco!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sabores de Bracher



“Encontrei-me com Minas Gerais através da pintura de Carlos Bracher”. Essa é a definição de Carlos Drummond de Andrade sobre o trabalho de Carlos Bernardo Bracher. O mineiro de Juiz de Fora, que mora em Ouro Preto e que tem reconhecimento em todo o país e exterior.

Para o artista, gastronomia e pintura são riquezas muito próximas, que se ligam na “espectralidade cromática infinda”.  Ele ressalta, ainda, que Minas é tradição e uma dessas vertentes está justamente na culinária, feita de uma gente miscigenada, os mineiros. “A culinária é um dos grandes capítulos da vida”, enfatiza o artista.

Conheça o que está no prato de Carlos Bracher.

Criança – Arroz de forno da minha mãe, aos domingos.

Amigos – Tomo cerveja, acompanhado de um tira-gosto imbatível: queijo gorgonzola ou grana padano.

Madrugada – Na calada da noite, às vezes vou à cozinha. Como ontem, que convidei minha esposa Fani para conversarmos algo. Não foi nada especial, apenas petiscos. Valeu não pelo que comemos, mas pela companhia.

Café da manhã – Não tomo café da manhã, infelizmente. Perco, de fato, o start do dia. Fazer o quê?

Restaurante – Quando meu amigo Sérgio Pereira da Silva vem a Ouro Preto, vamos direto ao Restaurante Deguste. Lá nos espera um bom chopp gelado e um frango com abobrinha. Tudo em um ambiente encantador, cercado de belas pedras.

Todo dia – Sempre arroz. Gosto tanto do arroz que como arroz com arroz, isto é, purinho. Feito na panela de pedra e torradinho, prato dos deuses. E costelinha de porco, pena que a Fani não deixa mais de uma vez por semana, é comer e sonhar.

Só amarrado – Jiló. Não sou dado a legumes em geral, só salvo o inhame.

Tradição – O que me apetece é a comida do dia-a-dia, que não cansa. As estripulias mágicas, as desventuras, ficam para os dias régios.

Bebendo – Cerveja, talvez meu vício maior. Nela encontro os prazeres (e por vezes os desastres) etílicos de minha necessidade física. Um bom copo ao lado de amigos queridos é beirar o paraíso.

Luxo – O luxo para mim é a simplicidade das descobertas, mas lógico que a um bom camarão ninguém consegue resistir.

Trabalhando – Quando pinto retratos, em geral, bebo cerveja com petiscos. E pintando vagarosamente, as cores soltas na paleta, parece que vou voar, entre sons e alucinações de uma emoção incontida. O álcool, na medida certa, faz parte deste prodígio, quando o homem vai encontrar um novo lado que se transparece, sobretudo, nos adventos artísticos.

 Conteúdo que produzi para o Gourmet Virtual há tempos, mas que não perde seu encanto.