quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Entrevistando Geraldo Azevedo



A musicalidade do pernambucano Geraldo Azevedo divide espaço com os temperos e sabores de sua cozinha. Para ele, um prato bem apresentado abre o apetite, assim como os aromas despertam nossa fome.

O artista diz que sabe se virar na cozinha e relembra uma composição que relaciona música e comida. “Tenho uma canção, o Oitavo Pecado Capital, do disco Tempo Tempero, que fala da farinha e da rapadura. Tem um trecho que diz ‘eu quero é mais tempero nesse pirão”. Conheça um pouco das preferências gastronômicas desse artista, que sou grande fã.

Criança – As frutas que davam na roça lá de casa: tamarindo, caju, banana, umbu, seriguela. Eram tantas. Peixe, que às vezes era nossa responsabilidade pescá-los para levar o alimento para casa.

Com os amigos – Não tem nada especial, gosto de comer o de sempre. Depende do restaurante. Sempre é bom dividir uma pizza com os amigos.

Café da manhã – Um suco de fruta, fibras como linhaça ou aveia e sempre termino com um café com leite ou um cappuccino.

Madrugada – Depende, mas geralmente é doce ou queijo.

Restaurante – Um dos meus favoritos é o Alcaparra, no Flamengo ( Rio de Janeiro), adoro um prato preparado com bacalhau dessalgado.

Dia-a-dia – Arroz integral, legume, verdura e um peixe ou frango.

Nem amarrado – Não tem nada que eu não coma, mas acho que eu não comeria cachorro nem amarrado. Sei que tradições alimentares estão relacionadas a cada cultura e há lugares onde se come carne de cachorro, mas acho que não comeria nem amarrado.

Tradição – Ah! São muitas, como já disse o pecado que cometo inúmeras vezes é a da gula. Acarajé é uma comida típica, tradicional da Bahia, e toda vez que vou a Salvador tenho que comer e ainda compro para levar para casa.

Copo – Água e vinho.

Sonho – Acho que não tenho muito essa onda não, mas gostaria de provar faisão.

Matéria produzida para o Gourmet Virtual.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"A cozinha brasileira em suas diversas formas tem que ser a estrela dos hotéis do Brasil"



Trocando figurinhas com a chef Mônica Rangel, que comanda o restaurante Gosto com Gosto, ela me contou um caso que desconhecia e que não gostei nada, nada. Confira trecho de nossa conversa:

Assistindo o Bom Dia Brasil ouvi falar sobre a nova portaria do Ministério do Turismo com relação à classificação hoteleira. Achei ótimo a EMBRATUR voltar a atuar no setor e o retorno das estrelas, que são tão significativas. O que me chamou a atenção negativamente foi quando disseram que a classificação dos hotéis de 5 estrelas com relação à gastronomia seria a obrigatoriedade de ter um restaurante de cozinha internacional. Fiquei consternada e abismada com a notícia, afinal trabalho e defendo a gastronomia brasileira.
 
Fui buscar esta portaria na internet e os contatos com o presidente da EMBRATUR, Sr. Flavio Dino, para dar minha opinião sobre esse assunto. Pesquisando o Anexo II da Portaria nº 100 de 2011 do Mtur no requisito Alimentos e Bebidas, as exigências de classificação para Hotéis de 4 e 5 estrelas é ter restaurante de cozinha internacional e eles usam o termo "cardápio de cozinha regional ou típica" como opcional para 4 estrelas. Nos de categoria inferior nem isso. Neste caso não caberia a obrigatoriedade de ter restaurante de cozinha brasileira e internacional pelo menos nas categorias 4 e 5 estrelas? 

Mais grave ainda, no anexo IV, são os hotéis históricos, que deveriam valorizar completamente nossa gastronomia, nossa história e eles nem mencionam a cozinha brasileira.
 
Quando viajo para fora do Brasil, tanto a trabalho quanto a passeio, quero conhecer o lugar como um todo,  principalmente sua comida. O turista estrangeiro tem muito a conhecer de nossa gastronomia, pois é riquíssima e extremamente agradável ao paladar. A cozinha brasileira em suas diversas formas tem que ser a estrela dos hotéis do Brasil, ainda mais agora com a grande visibilidade que teremos com a Copa e as Olimpíadas, onde teremos uma grande quantidade de turistas ávidos por conhecer o Brasil em sua totalidade.
 
Somos o País do futuro na economia, turismo e na gastronomia também. Repare que na Itália os grandes hotéis servem comida italiana, assim como na Franca, Portugal, Espanha.... 

Temos que nos mirar nesse orgulho que eles sentem de sua cozinha.

Monica Rangel 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Queijo em pauta


Um ícone da culinária mineira tem sido tema de muitas discussões e comentários ultimamente: nosso querido queijo. Muito se fala sobre suas características, qualidade, versatilidade e, principalmente, sobre a proibição. Isso porque o nosso queijo é produzido a partir de leite cru, ou seja, que não tenha passado por processo de pasteurização.  E isso incomoda muito aos órgãos regulamentadores. E incomoda ainda mais aos seus defensores, que acreditam em um produto que mantenha não só segurança alimentar, mas que mantenha originalidade, tradição e cultura. Pensando nisso,  darei início a uma série dedicada ao queijo. Para começar os trabalhos, vejam as últimas notícias...

No Comida di Buteco de 2012, em Belo Horizonte, o ingrediente homenageado será o queijo.

A Conspiração Gastronômica defende com fervor esse ingrediente e recentemente publicou uma matéria sobre o assunto.

Eduardo Avelar estreou na Rádio Guarani o Programa Sabores de Minas, numa bem humorada crítica à legislação do queijo. Além disso, seu blog sempre tem esse ingrediente.

O mestre Carlos Dória também tem falado em seu blog sobre o queijo.

Acaba de ser lançado o documentário O mineiro e o queijo, de Helvécio Ratton.
Pegando carona no lançamento do documentário, Girão teceu em seu blog.

É só o começo...

sábado, 1 de outubro de 2011

Tira gosto mais que especial



Se você salivou imaginando uma generosa porção de torresmo na foto acima. Pasmem, não é! Esse é um dos pratos que mais me surpreendeu até hoje, dobradinha frita com molho de mexerica. Tive o prazer de conhecer em uma viagem com a equipe do Programa Sabores de Minas.

A experiência surpreendeu não só pelo sabor, mas também pela animação e carisma de Eliana Silva, que comanda a receita e a cozinha do restaurante Rapa do Angu, na região de Brumadinho.

É um prato delicioso, econômico, fácil de fazer e que implora por uma cerveja gelada. Ficou com vontade? A receita está bem aqui...

Dobradinha
1 quilo de dobradinha picada em pedaços pequenos
2 dentes de alho amassados com sal
1 colher (sobremesa) de colorau
3 colheres (sopa) de bicarbonato de sódio
Pimenta-do-reino a gosto
2 xícaras (chá) de fubá de milho
Óleo para a fritura

Geléia de mexerica
1 litro de suco de mexerica
2 xícaras (chá) de casca de mexerica
Meia xícara (chá) de azeite
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de cravo moído
1 colher (chá) de gengibre ralado
5 pimentas dedo de moça
1 xícara (chá) de açúcar cristal
2 dentes de alho amassado

Molho
4 colheres (sopa) de geléia de mexerica
1 colher (sopa) de molho inglês
1 pitada de pimenta-do-reino
1 colher (sopa) de molho de pimenta
1 colher (sopa) de vinagre

Limpar bem os pedaços de dobradinha, cobrir com água e bicarbonato e deixar ferver. Escorrer e ferver novamente, com a mesma quantidade de água limpa. Retirar os pedaços e refogá-los com alho e sal. Pôr o colorau e a pimenta-do-reino.Acrescentar um litro e meio de água e deixar cozinhar por uma hora. Retirar os pedaços com uma escumadeira e imediatamente passá-los no fubá. Rapidamente, despejá-los no óleo quente e deixar dourar.

Para a geléia, bater todos os ingredientes no liquidificador e levar ao fogo, até que a mistura fique bem consistente. Esfriar e pôr em potes esterilizados. E para finalizar o molho, misturar todos os ingredientes e servir como acompanhamento da dobradinha frita.