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A cozinha da vovó - parte final (Ela)

Quem é a dona dessa cozinha?

Ela é Maria da Conceição Marcial, esposa do Nelson, e juntos formam um admirável casamento.

Ela é mãe de treze, avó de vinte e seis, bisavó de nove e contando. Uma matriarca que exala carinho e bolinho de chuva.

Ela é exemplo de tudo nessa vida. De fé, sabedoria, coragem, força, inteligência, criatividade e amor.

Ela é uma cozinheira de mão e coração cheios. Dona dos melhores quitutes e receitas.

Ela é a razão da minha paixão pela culinária e, para mim, falar sobre cozinha é falar sobre ela.

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A cozinha da vovó - parte 12 (Comida é amor)

Comida é amor Penso que nossa vida e como somos é uma simples junção de pedacinhos de experiências que vivemos. Claro que passamos por momentos bons e ruins, mas acho que está em nossas mãos escolher o que irá nos definir. Aqueles que me criaram sempre me ensinaram o melhor caminho e vovó faz parte disso. Entre tantas lições, a que mais carrego dela, é a de cozinhar para quem amamos. Comida não é somente alimento que mata fome, mas também uma linda demonstração de afeto.  Sem dúvidas, traduzir amor em comida é uma das melhores coisas da vida. Dá uma sensação boa ver a pessoa degustando sua comidinha com esse tempero mais que especial. Tenho na memória os afagos comestíveis que já recebi e, agora, os que preparo para os que me rodeiam. 
Amor que vem... Da vovó, já ganhei muito chuchu refogadinho para comer com angu. De minha mãe, frango com quiabo, sopa de galinha e arroz com suã são sinônimos de felicidade. Do pai, um picolé de amendoim ou feijão com zoiúdo despertam sorriso no rosto. …

A cozinha da vovó - parte 11 (Dias de festa)

Dias de festa
As datas comemorativas do nosso calendário são marcadas pela tradição de estar na casa de vovó. Dia das Mães e dos Pais, Sexta-feira Santa, Páscoa, Dia das Crianças e Natal são os que mais me deixam com saudade de passar em família. Dias antes já começam os preparativos, os parentes começam a chegar e colchões vão se espalhando pela casa. O clima é radiante, pelo simples fato de estarmos juntos. Vovó estampa no rosto a alegria de estar com a casa cheia e o cansaço dessa exaustiva rotina não tem chance em meio a tanta satisfação.  Nesse ritmo, é claro que a cozinha também funciona de forma acelerada. A mesa de café fica posta o dia todo, sempre com uma garrafa de café, queijo e alguma broa. As refeições são muito fartas, com diferentes opções de comida, já que vovó faz questão de agradar cada um. E, nessas ocasiões, as duas enormes mesas não bastam para receber a turma toda. Os mais novos eram destinados para a escada, formando uma sequência de crianças. Hoje, todos já be…

A cozinha da vovó - parte 10 (O sabor da simplicidade)

O sabor da simplicidade Comida de avó é um exemplo perfeito de como as coisas simples podem ser as mais especiais. Com o tempo, aprendi a admirar esses momentos. Entendi que a grandiosidade está naquilo que nos faz bem, que enche o coração de sentimento, mesmo que, às vezes, nem seja possível definir o que se sente. É algo único, que traz sentido pra vida da gente e mostra aquilo que queremos ser.  Eu, por exemplo, tenho enorme satisfação em passar uma tarde inteira na cozinha, ouvindo música e com uma taça de vinho ao lado do fogão. Outra coisa que me deixa eufórica é ir para casa dos meus pais já imaginando cada comidinha que irei degustar. Nessas horas, o que importa é deliciar, sem presa, cada garfada. É deixar a prosa estender-se até a madruga, mesmo que o cansaço ordene o contrário. E acordar bem cedo no dia seguinte com receio de perder o pouco tempo que temos em cada visita.  A comida da minha avó é assim, de sabores simples, mas incríveis. O ovo caipira frito logo cedo para o…

A cozinha da vovó - parte 09 (Caderno de receitas)

Caderno de receitas Existem várias formas de contar histórias e as receitas são, certamente, uma delas. Os cadernos de receitas antigos eram cheios de capricho, com recortes e bordados. A caligrafia era tão impecável que parecia sair de um conto de fadas. E existia uma proteção a esse caderno, que além de guardar tesouros da culinária, seria usado por gerações adiante.  Outra coisa que me fascina são as formas de medida, como, por exemplo, um prato raso de farinha ou uma dita de leite, que nada mais é do que uma xícara. Pensar que essa linguagem era corriqueira e facilmente entendida pelas cozinheiras da época.  Com o tempo, os escritos ficaram dispensáveis para minha avó, que faz seus preparos somente com o uso de três medidas incríveis: memória, olho e paladar. Mas o costume de colecionar receitas ainda resiste. Confesso que anotar as dicas que passam na televisão é uma arte, pois escrever tudo rapidinho e depois traduzir é algo difícil. Lembro-me tanto de passar horas com vovó, ass…