domingo, 15 de dezembro de 2013

Um belo restaurante e a descoberta de um novo vinho

 
Entre as comemorações de família e amigos no fim de ano, eu e meu namorado Pedro (Ops! Agora é noivo) escolhemos um lugar bem aconchegante e romântico para celebrarmos juntos o belo ano que tivemos e, claro, nosso noivado.

Em uma calma terça-feira aproveitamos para visitar o restaurante Hermengarda, do chef Guilherme Melo. Já conhecia muito de nome, mas, mesmo sendo pertinho da minha casa, nunca tinha estado lá. Desde o começo até o fim do serviço o atendimento foi impecável, a começar por mimos do chef servidos em todas as mesas.

Como sou viciada em cardápios, antes mesmo de escolher a bebida já estava futicando entre os comes do lugar. E que surpresa gostosa, eles tem um prato representando a Conspiração Gastronômica, movimento que luta pela valorização da gastronomia mineira e do qual eu faço parte desde o comecinho. Sabia que o Guilherme também fazia parte, mas não tinha conhecimento do prato com o selo da Conspiração no cardápio, coisa linda!

Entre entradas e pratos principais, experimentei um pouco de tudo, já que beliscar no prato do noivo é uma cláusula pré-nupcial! Muito sabor e elegância em cada prato, que só de pensar já fico com água na boca. Mas, sem dúvidas, uma das melhores coisas da noite foi descobrir um novo vinho. O sommelier da casa (não lembro o nome, perdão!) é muito simpático e um embaixador dos vinhos portugueses. Chegamos com ideia de tomar um de outra nacionalidade, mas ele nos convenceu a experimentar o tinto Vallado Douro. Além de ter um preço bem bacana, o vinho é muito bom e combinou direitinho com nossos pedidos.

Ficamos com gostinho de quero mais e voltaremos em breve!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Novo curso de gastronomia em BH

 
A Faculdade Una está com um curso lindo para os apaixonados por gastronomia. Com coordenação do Chef Edson Puiati, que tem uma carreira de respeito na área, o curso conta com uma grade bem interessante. O chef é um dos diretores da Conspiração Gastronômica e também acompanha a Expedição Sabores de Minas por várias cidades, realizando palestras e oficinas.
 
Além de ser mais uma oportunidade para os interessados ingressarem no mercado de trabalho, é muito bom ver cursos bem estruturados surgindo, para que a concorrência esteja sempre alerta e, nós, melhores abastecidos de profissionais. Atenção para disciplinas como Nutrição na Gastronomia, Cozinha Brasileira e Mineira (que tudo!), Food Design, Gestão Empreendedora e outras que tem como ênfase o Turismo Gastronômico. São temas difíceis de serem vistos em outras instituições e que prometem!
 
Ah, e sei que vem mais cursos por aí, como pós-graduação e outros técnicos. Então, vamos ficar de olho!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Fernando Pacheco


Na última edição da Revista Sabores de Minas tive o privilégio de conhecer pessoalmente o artista plástico Fernando Pacheco. Em uma brincadeira com o chef Flávio Trombino, do Restaurante Xapuri, colocamos os dois mestres para fazer uma verdadeira obra de arte com a comida. Eles trabalharam com ingredientes diversos, representando cores e texturas de uma tela para homenagear a Pampulha.
 
Sem dúvidas, foi uma das apurações mais gostosas e divertidas que já fiz. Os pratos ficaram incríveis e o clima de descontração no ambiente ganhou toda a equipe. Mas, preciso dar destaque especial ao lugar que nos recebeu: o atelier de Pacheco.
 
Cada detalhe, os trabalhos, as telas, as interferências, as obras, o acervo. Tudo foi me consumindo de tal forma que não queria mais ir embora dali e quase me perco entre não escrever minha matéria – tamanho encantamento – ou escrever um memorial – tamanha inspiração.

domingo, 3 de novembro de 2013

Bolinho de couve-flor


Tá aí uma receita prática, fácil e super saborosa. Aprendi com Daise França Menezes, na cidade de Rio Manso, que é considerada a terra da couve flor. Isso com uma cervejinha gelada, sei não...
 
Ingredientes:
1 couve-flor média
1 colher (sopa) de manteiga
2 ovos
1 copo (americano) de leite
2 copos (americano) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento químico em pó
Sal a gosto
Cheiro verde a gosto
Óleo para fritar
 
Modo de preparo:
Lavar e cortar a couve-flor em pedaços, sem as folhas, e cozinhar em água com sal. Escorrer e deixar esfriar. Misturar com os demais ingredientes e fritar as colheradas, em óleo quente e suficiente para cobrir, até dourar.

sábado, 26 de outubro de 2013

Doçura


Apaixono-me por coisas simples e uma delas é rapadura. Gosto de um farelinho se desfazendo na boca, adoçando a vida da melhor forma possível. Como viajo por muitas cidades do interior de Minas Gerais sempre esbarro com uma produção, mesmo que tímida, desse ouro.
 
Outro dia, na cidade de Crucilândia, conheci o Engenho Irmãos Souza, que fica no distrito de Machados. A prosa foi com o produtor Norivaldo Vicente de Souza, que está à frente do ofício que aprendeu com seu avô. Por lá, o processo é bem sustentável, já que as tachas tem as chamas alimentadas pelo fogo do bagaço da própria cana, sem consumo de lenha.
 
Mas, o que mais me encantou nesse lugar foram as placas que nos recebem e despedem, logo na entrada do engenho. São carinhos assim que, junto com o doce da rapadura, fazem a vida da gente mais feliz.
 
P.S.: Enquanto escrevia esse aqui, a vitrola tocava Gonzaguinha. Simples e apaixonante...

domingo, 6 de outubro de 2013

A gente não quer só comida

A capital mineira está, cada vez mais, cheia de novidades gastronômicas. E não queremos apenas comer bem, mas também ser bem atendidos. E eis que surge o problema. Não adianta montar uma casa linda, decoração fofa, cardápio de babar, boa carta de bebidas, ter um chef bacana, se o atendimento impede que você tenha acesso a isso tudo.
 
Recentemente fui visitar um restaurante da cidade e, assim que entrei, antes mesmo de me sentar, já me avisaram que a cozinha estava fechando e perguntaram se queria pedir algo para comer. Em primeiro lugar, se estava em um restaurante é claro que ia pedir algo para comer, mesmo que fosse um petisco. Segundo, como escolher se não tinha visto o cardápio ainda.
 
Enfim, escolhi uma mesa e aguardei o garçom voltar. Quando o sujeito aparece, sem falar nem um ‘boa noite’, ele me pergunta se eu participava de alguma promoção, que a casa naquele dia não estava aceitando. Depois dessa, levantei e não quis mais ficar ali.
 
Não vou citar o nome do lugar, pois acho que a carapuça serve para quem servir. Mas, em compensação, preciso sim dizer o nome do restaurante que fui em seguida e que me atenderam muito bem. O restaurante Ficus me tratou de forma correta, respeitosa, com carinho, a comida estava maravilhosa e salvou minha noite.

sábado, 28 de setembro de 2013

Exemplo de vida


Foi preciso apenas um depoimento para ela me emocionar. Se não bastasse, no segundo ela fez de novo. Assim como no terceiro e não me canso mais de ouvir sua história. Rosângela Rodrigues Tavares é um exemplo para todo mundo e é daquelas pessoas que a gente quer levar pra casa, de tanta lindeza.
 
Moradora da comunidade rural Inhame, região de Divinópolis, ainda adolescente, Rosangela namorava um rapaz e eles tiveram que se separar, pois a família dela se mudou para o interior de São Paulo para tentar a vida. Os tempos eram difíceis e ela chegou a trabalhar como boia-fria junto com os irmãos. Cansada da dificuldade decidiu voltar para Divinópolis, reencontrando seu amor de adolescência.
 
Eles se casaram, tiveram filhos e a vida no campo voltou a ser seu ganha pão. Eles plantavam vários tipos de legumes e hortaliças, mas a venda dos produtos estava difícil. Foi quando criou a Associação de Produtores Rurais de Divinópolis, da qual é a dirigente, e não parou mais. Daí, fundou também o primeiro e único, pelo menos que eu saiba, buffet rural, onde são produzidas especialmente quitandas.

Atualmente ela é um ícone não só para os produtores de Divinópolis, mas também para todos que escutam sua história. Entre palavras tremidas e olhos marejados, ela participa de feiras e eventos dando seu depoimento e mostrando que nada é impossível, só é preciso vontade de realizar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Tainha com sardinha


Imagina uma tarde de setembro, rua fechada em um tradicional bairro da cidade, churrasqueira assando peixes, renomados chefs cozinhando, música boa no fundo e tudo isso por uma causa nobre. Acabo de descrever o Tainha com Sardinha, que acontece no dia 21 de setembro, em Belo Horizonte. É a sétima edição do evento, que terá toda a verba arrecada destinada ao Leuceminas - Associação dos Leucêmicos do Estado de Minas Gerais.

O idealizador do projeto, Eduardo Maya, irá comandar os pratos com a ajuda de alguns chefs convidados: Eduardo Avelar (Conspiração Gastronômica), Massimo Battaglini (Restaurante Pecatore) e Edson Puiati (Coordenador de gastronomia da UNA). Outro convidado é o chef Beto Haddad, do restaurante Bangkok, mas que estará cuidando da música como o DJ da tarde.

Os convites são as camisas do evento, que serão vendidas a R$ 35. Quem tiver interesse em participar, é só falar comigo que estou ajudando na venda das camisas. Será um dia delicioso! 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Cerratinga, produção sustentável e consumo consciente

Quebradeiras de coco babaçu
Acabei de conhecer e já estou encantada com o Cerratinga, uma iniciativa que tem por objetivo valorizar os produtos, cultura e povo do Cerrado e Caatinga. Para isso, lançaram um site para aproximar o produtor do mercado. São itens de artesanato, cosmético e culinária, que, claro, foi o que mais chamou minha atenção.

Óleo de babaçu, farinha de jatobá, geleia de maracujá da caatinga, doce de umbu, castanha de baru, creme de pequi, polpa de murici, cajuí cristalizado, só para citar alguns exemplos. E o bacana é que não é um site de venda, ele te direciona para o contato do produtor, ou seja, a negociação é direta, garantindo que o retorno financeiro seja exclusivo para quem realmente faz essas delícias. Além disso, também tem várias receitas sugestivas para o uso de ingredientes do Cerrado e Caatinga.

É uma ótima oportunidade de conhecer melhor os sabores desses lugares e colaborar com a iniciativa. Ficou com vontade? Eu também!

sábado, 31 de agosto de 2013

Doce passeio

D. Zélia adoçando minha vida com pé-de-moleque
Conhecer Pirapora foi um presente em minha vida e um dos principais motivos para isso foi a visita ao Sr. Adelino e D. Zélia, na comunidade de Aarão Reis. Chegar à fazenda do casal, que está completando 60 anos de casados, foi voltar ao tempo. Parece casa de avós, cheia de amor, carinho e um cheirinho de coisa boa na cozinha – fato confirmado pela minha mãe, que ficou emocionada ao ver a foto de D. Zélia e achar a cara da minha bisavó!

Com a ajuda dos filhos, o casal cuida de todo o processo da rapadura, desde a plantação da cana até a comercialização dos produtos nas feiras de Pirapora. O preparo da rapadura acontece sempre às quintas-feiras e é aberto para visitação, tanto de turistas quanto de projetos educativos.

E isso é outra coisa que me conquistou. Eles recebem crianças para conhecer a zona rural e mostrar o processo de produção da rapadura. É uma verdadeira aula de história! E, ao final do passeio, as crianças e visitantes recebem lanche caprichado, com direito a pastel, biscoito de polvilho, garapa e muita alegria.

Criançada se divertindo na fazenda

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Belo Comidaria e um senhor bolo de chocolate


Mesmo antes de provar a comida já era fã do Belo Comidaria, pois sua página no Facebook me conquistou. Estava ensaiando uma visita e recentemente fui conhecer o restaurante, que tem no comando o chef Henrique Gilberto e o publicitário Rafael Mantesso, vulgo Marketing na Cozinha.

Normalmente não gosto de saber muito sobre o lugar, acho que quanto menos informação maior a chance de me surpreender. Mas, nesse caso, já sabia bastante, muitas indicações, fotos, comentários e lá fui eu. Um almoço tardio, já que meu café da manhã tinha sido às 11h, então o apetite não era tão grande. Já sabia que porco era um forte da casa, mas quando vi no cardápio (adorei a ideia de usar uma prancheta, simples e permite mudanças no cardápio sem muito desperdício!) que tinha pescoço de peru me apaixonei, coisa difícil de achar por aí, ainda mais saboroso como estava. Claro que também experimentei um corte suíno, bem feito e acompanhado de um purê de limão delicioso.

No final, agradeci por não ter comido muito, pois a sobremesa é algo irresistível, até para os que não são muito fãs de doce, como eu. O bolo de chocolate chega imponente à mesa e você fica hipnotizado, não consegue dizer não. Mas é uma fatia generosa, dividimos para quatro. Então, peça uma só para você somente se este for o seu almoço!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Jantar nas ruínas


Tente imaginar um jantar à beira rio, que você chegasse de barco, um cardápio sofisticado e baseado nos ingredientes locais, ruínas de uma igreja como cenário, lua cheia no céu e uma sinfonia de jovens como trilha sonora. Parece um sonho, mas é bem possível de ser realizado. Assim aconteceu durante minha estadia em Pirapora, mais precisamente na Barra do Guaicuí, distrito de Várzea da Palma.

As ruínas da Igreja de Pedra são por si só um deleite para os visitantes e, agora, também palco para um evento que tem tudo para se tornar um dos maiores atrativos de Minas Gerais, unindo cardápio especial, paisagem deslumbrante e a Orquestra Sinfônica Jovem de Pirapora, um show emocionante.

O roteiro é organizado pelos empresários do Hotel Canoeiros, de Pirapora, onde descobri não só uma amiga, mas uma profissional que está fazendo do projeto Jantar nas Ruínas um verdadeiro espetáculo. Sandra Felisberto é uma das proprietárias do hotel e também uma chef de cozinha super engajada. O jantar que participei foi o primeiro e teve como base das receitas pequi, baru, tamarindo e a releitura do tradicional prato dos barranqueiros da região, o peixe com abóbora.

Enfim, não dá para explicar muito com palavras, é algo que precisa ser vivido!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A volta da blogueira


Blogueiro quando dá uma sumida está de cheio de trabalho e sem tempo para escrever. A boa notícia é que, quase sempre, esse trabalhão vem acompanhado de novidades para os leitores. E é isso mesmo que aconteceu com essa blogueira que vos fala. A vida profissional caminha a todo vapor, com projetos que há muito faziam parte de sonhos e hoje são realidade.

Falo da Conspiração Gastronômica e do Sabores de Minas, dois projetos que resumem minha paixão pelo que faço e que agora são meus ofícios diários (pulos de alegria!). Estou conhecendo ingredientes, produtores, causos, pessoas, cultura e tudo mais que essa linda Minas Gerais tem para mostrar. Tudo faz com que a rotina pesada de trabalho seja nada quando comparada, por exemplo, a conhecer uma produção de rapadura artesanal.

Após alguns meses com as novas funções, estou conseguindo organizar um pouco a vida e o Feito com Pimenta faz parte disso. Por isso, podem voltar com o blog para a lista de favoritos, pois estamos de volta. E ainda mais apimentados... 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Criatividade no Comida di Buteco

Prato concorrente da Cervejaria Seu Romão - Fonte: Comida di Buteco
 
Um episódio vivido ontem me fez vir correndo escrever no blog. Eu adoro época de Comida di Buteco, os bares cheios, o clima, descobrir os pratos, enfim, tudo que envolve o concurso. Claro que o sucesso vem acompanhado da dificuldade para conseguir uma mesa, muitas filas e garçons sobrecarregados. Quem não quer esse tumulto, por favor, procure bares que não estão participando do circuito e vai ser feliz por lá. E quem decide seguir o roteiro botequeiro, nada de perder a esportiva.
 
Os botecos, por sua vez, podem amenizar a espera com um atendimento bacana. Ontem fui à Cervejaria Seu Romão e me surpreendi com a iniciativa deles. Estão participando pela primeira vez e se preparam para a super lotação.
 
A fila, com média de espera de uma hora, foi encarada sem problemas. Isso porque, na porta do bar, um garçom oferecia duas possibilidades. Logo na entrada, para esperar por ali mesmo, colocaram uma caixa de isopor com cerveja long neck geladíssima e amendoim para tira gosto. A outra opção - genial - é o direcionamento para o bar vizinho. Eles fizeram uma parceria com o bar ao lado e mandam o pessoal para lá. Anotam seu celular e quando chega sua vez ligam avisando.
 
O tal bar vizinho também atinou e fez um cardápio intitulado “comida di buteco”, com petiscos típicos. Cada um ganhando seu dindin de forma criativa. E eu, sem stress, fiquei esperando meu lugar na Cervejaria Seu Romão no bar amigo, tomando cerveja e comendo torresmo de barriga.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um pouco de Juan Carrau

Não sou uma grande conhecedora de vinhos, mas sim uma grande apreciadora desse líquido precioso. Recentemente conhecia os produtos Juan Carrau e uma característica me chamou a atenção: os rótulos de produção orgânica. Para entender melhor essa história, bate um papo com um dos Juan Carrau, que representa 10 gerações.

Qual atuação do Atelier Carrau?
A palavra atelier é utilizada para designar locais onde se trabalha com arte, onde habita a inspiração. Entendemos, assim, que é o termo mais adequado para uma pequena adega, na qual se trabalha para equilibrar a mais alta tecnologia de vinificação, com os processos ancestrais e mais tradicionais para a elaboração de vinhos finos.

Como surgiu a empresa?
A família Carrau trabalha na elaboração de vinhos finos de forma ininterrupta há dez gerações, desde 2 de abril de 1752, tradição iniciada em Vilasar de Mar, perto de Barcelona. Nestes mais de 260 anos de tradição a Familia Carrau tem produzido grandes vinhos na Espanha, Uruguai e Brasil.

Atualmente, como é a estrutura?
A empresa possui vinhedos próprios em Santana de Livramento, fronteira Uruguai / Brasil. Nestes vinhedos são cultivadas as uvas orgânicas. Estamos com um projeto de montar uma adega modelo, dentro dos moldes da condução biodinâmica. Desta forma, poderíamos otimizar alguns processos como o aproveitamento de bagaço de uva em adubos.
  
Qual o carro chefe?
O vinho Velho do Museu foi desde sua primeira safra (42 anos atrás), um produto destacado pela sua qualidade e possui muitos fãs pelo Brasil todo. Este é nosso principal vinho de reserva com grande aceitação.

Como funciona a produção?
O foco de nossa produção é elaborar vinhos de destacada qualidade. Trabalhamos com volumes pequenos, o que permite adotar alguns processos artesanais, como por exemplo a seleção manual dos espelhos das rolhas.

Vocês possuem alguma certificação?
Os vinhos orgânicos já foram certificados pelo IBD (Instituto biodinâmico), porém atualmente estamos trabalhando no desenvolvimento de uma certificação participativa. Procuramos desta forma compartilhar nosso aprendizado e aumentar a massa crítica do segmento.

Como funciona o processo orgânico?
Para produzir um vinho fino orgânico é preciso primeiro ter uvas viniferas orgânicas. Este foi um trabalho que se iniciou em Santana do Livramento a partir de 1994. Em 1997 foi possível concretizar a conversão do vinhedo (de convencional a orgânico), dando lugar ao primeiro vinho Fino Orgânico do País. É importante destacar que, em nossa abordagem, a agricultura orgânica não é um fim por si só, e sim um meio para alcançarmos produtos de melhor qualidade em equilíbrio com o meio ambiente!

Qual harmonização ideal?
A harmonização do vinho é muito importante e, quando bem feita, podemos extrair o máximo do vinho e do prato. Além disto, é muito importante que o entorno, o clima e o ambiente também acompanhem para fazermos de cada taça de vinho um momento único!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Aconchego do fogão a lenha


“O fogão a lenha dentro de uma cozinha é um símbolo cultural”, afirma o chef Olivier Anquier em seu livro Diário do Olivier: 10 anos de viagem em busca da culinária brasileira. E de fato é, confirma a historiadora Renata Soares, pois “é um marco na nossa sociedade”.

O fogão a lenha, também conhecido como fogão caipira, faz parte da história culinária de nosso país, começando pelos índios, que tinham o Tucuruba, um artefato construído em um buraco no chão e protegido por pedras. A prática evoluiu e passamos a ter dois tipos de fogão a lenha, de metal e de alvenaria. O de metal é mais utilizado no sul do país e o de alvenaria no sudeste, em Minas Gerais e interior de São Paulo.

Com o passar dos anos e a modernização dos fogões para o uso de eletricidade e gás, o fogão a lenha passou a ser usado basicamente no interior do país. Contudo, segundo dados de pesquisa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), o uso de fogão a lenha nas áreas rurais em Minas Gerais é expressiva, pois está presente em 96,9% das casas. Pensando nessa marca, a Emater desenvolveu um projeto para construção de fogão a lenha que não esfumaça a cozinha, economiza lenha e torna mais rápido o processo de cozimento dos alimentos.

O fogão a lenha também desperta o lado bucólico das pessoas, por ser um ambiente aconchegante e tradicional em reunir a família para um café e uma prosa. Conversei com Dona Maria Stella Libânio Christo, ícone da culinária mineira. Vale ressaltar que o título de sua principal obra é Fogão de Lenha: 300 anos de cozinha mineira, livro que se tornou referência para gastronomia. Na juventude de seus 92 anos, Dona Stella diz que ‘a importância do fogão a lenha não está somente na história da sociedade, mas, principalmente, na sua relevância para a culinária’. Ela ressalta, ainda, que a comida fica mais gostosa e os sabores se acentuam de forma inigualável.

E para finalizar, cito um trecho da crônica Aconchego, de Camilo Durante Assis, um mineiro da cidade de Almenara, que mantém seu fogão a lenha sempre com uma chama em brasa.

“Final de semana na casa dos avós, lá no interior. Todos acordam bem cedo, junto com o galo dono do galinheiro. O cheiro é de café novo, fumaça de lenha e prosa. Ainda é frio e o lugar mais aconchegante está logo ali na cozinha. No canto da parede as brasas já brilham o vermelho do fogo. No varal logo acima, alguns espirais de laranja aromatizando o ambiente, lingüiças embutidas e alguns queijos cabacinha defumando. Na chapa, pedaços generosos de queijo minas e um pinhão debulhado. As pessoas se juntam ao redor, os rostos vão ficando corados e alma se aquece. É o aconchego do fogão à lenha”.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Versatilidade


Uma bebida que, de acordo com minha versão preferida, foi descoberta por um pastor de cabras. O tal pastor observou que os animais ficavam mais espertos quando ingeriam folhas e frutos do cafeeiro. A característica energizante do café ainda é um dos motivos para o consumo em dias atuais, mas a bebida surpreende.
Já foi moeda de troca, sinônimo de poder e riqueza, como também causadora de crises econômicas. Contudo, de umas xícaras para cá, o café passou a ser considerado também uma forma de arte, com várias facetas.
As receitas, combinações e padrão de qualidade do café são fatores traduzidos atualmente em uma categoria, a de barista. Esse profissional é conhecedor de todo o processo, desde o cultivo do grão até à temperatura ideal para servir a bebida. Aqui, café é arte.
Há ainda aqueles profissionais que desenvolvem seu lado artista, criando desenhos em cima da espuma de drinks com café. Nesse momento, é arte no café.
E para finalizar, apresento arte com café. Isso mesmo. Existe uma técnica de pintura em tela que utiliza o café solúvel, um pigmento natural. As obras são inacreditáveis, ficam parecendo um material envelhido. Esse trabalho é desenvolvido pelo artista Alexander P. Moreira, que na figura acima faz uma homenagem a Charles Chaplin.
Mais obras de Alexander: http://fotolog.terra.com.br/alexanderdesenhos

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Arte no biscoito


Em minha segunda cidade natal, Juiz de Fora, descobri biscoitos que são verdadeira obra de arte. A receita original é uma das muitas tradições germânicas que foram assimiladas pelos juizforanos ao receber a imigração alemã em 1858.

Vaneida Silva, uma brasileira que aprendeu a receita com a prima alemã, adaptou o açúcar mascavo para rapadura e criou uma apresentação única.

Os biscoitos são vendidos em Juiz de Fora na feira realizada no bairro São Mateus aos sábados. Mas, para quem quiser se aventurar e brincar na cozinha, é só seguir a receita.

Biscoito de rapadura
Ingredientes
230 gr de rapadura
35 ml de água
170 gr de margarina
1 colher de noz moscada
1 colher de cravo moído
2 colheres de canela
400 gr de farinha de trigo
Obs.: A medida das colheres é a de café.
Modo de fazer
Leve a rapadura e a água para o fogo até que derreta. Desligue o fogo e misture a margarina, a canela, o cravo e a noz-moscada. Coloque aos poucos a farinha de trigo até que forme uma massa homogênea. Deixe descansar por cerca quatro horas. Em seguida, abra a massa bem fina e corte com forminhas. Leve para assar em tabuleiro por 15 minutos aproximadamente em forno baixo e pré-aquecido.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Direto da Bahia


O nome Feito com Pimenta vem de uma paixão pessoal e também da ideia de ardido e suave. Um ingrediente muito versátil e cheio de surpresas, verdadeira paixão. Recentemente, algumas pessoas comentaram sobre o tal Feito com Pimenta, que lhes lembravam comida baiana. Pensando nisso, conversei com a Chef Tereza Paim, ícone da culinária baiana, que elaborou um pequeno dicionário desse mundo maravilhoso, tudo feito com muito tempero e pimenta, é claro.

Por Tereza Paim

Aberém
É um bolinho salgado de milho ou arroz, envolto na palha da bananeira e cozido no vapor. Somente usado nas oferendas do Candomblé.
Acaçá
Milho branco ou vermelho, que fica de molho em água de um dia para o outro. Depois é triturado para formar a massa que será envolta como bolinhos na palha da bananeira e cozidos no vapor. Também é oferecido nos rituais do candomblé.
Acarajé
Feijão fradinho, gengibre, cebola, sal e frito em azeite de dendê puro. Cartão postal da cozinha baiana e considerado patrimônio imaterial. Uma baiana tradicional quando abre seu tabuleiro em um dia de labuta, primeiramente frita uns pequeninos acarajés em oferenda aos santos. É uma forma de agradecer e pedir proteção para aquele dia de trabalho.
Aluá
Suco feito da fermentação da casca do abacaxi com gengibre e açúcar.
Arroz de hauçá
Arroz em água e sal, carne seca desfiada e camarão seco. Típico prato africano, que, segundo Rui Barbosa, é uma corruptela (hauça com água e sá).
Beiju
Feito da goma da mandioca. Quando faz a farinha de mandioca, rala-se a mandioca e ao espremer sai um líquido, eis nosso produto.

Bolinho de estudante
Tapioca molhada com coco seco e açúcar. Muito comum nos tabuleiros das baianas, também conhecido como punheta.


Caruru
Quiabo, gengibre, cebola, alho, leite de coco, castanha, amendoim e dendê. É a base do banquete de Cosme e Damião.

Efó
Feito de folha taioba ou língua de vaca, com camarão seco, coentros, cebola, alhos e pimenta. É uma comida de oferenda do candomblé das mesas baianas.
Lelê
Milho, açúcar, leite de vaca, leite de coco e coco seco. Vendidos pelas negras nas ruas, até hoje, em junho, compõe o tabuleiro das baianas mais tradicionais.

Maniçoba
Cozido de carnes secas, lingüiças, cebola, alho, bacon e maniva (folha da mandioca). Deve-se destacar que a folha da mandioca in natura é venenosa e, por isso, tem que haver um prévio preparo de cinco dias, lavando e fervendo.


Munguzá
Milho branco, coco seco ralado, açúcar  cravo e canela. É muito oferecido em cafés da manhã, em substituição do mingau.

Sarapatel
Sangue coalhado de porco, boi ou de cordeiro, tripas, cravo, tomates, cebola, pimenta, folha de louro, coentros. Deriva do sarrabulho Português.
Vatapá
Migas de pão ou inhame, leite de coco, dendê, camarão seco, castanha e amendoim. Acompanha o banquete de Cosme e Damião.
Xinxim de galinha
Ensopado de galinha, finalizado com camarão seco, castanha, amendoim, gengibre, leite de coco e dendê.



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Pizza Surpreendente

Receita especial, que leva o nome do blog e que me deu um prêmio no concurso Pizza Surpreendente, parceria do Pizza Sur e Centro Universitário Una.

Pizza Feito com Pimenta

Ingredientes 
05 colheres de sopa de molho de tomate
100 gr mussarela
150 gr linguiça tipo calabresa fininha
1 cebola grande caramelizada
2 pimentas dedo de moça em fatias finas

Preparo
Para preparar a cebola, pique a mesma em pétalas e leve para refogar no azeite. Quando estiver transparente, coloque uma colher de chá de shoyo e uma colher de chá de açúcar mascavo para caramelizar. Espalhar o molho de tomate sobre a massa e colocar a mussarela. Em seguida, coloque as fatias da linguiça previamente fritas, as cebolas caramelizadas e a fatias de pimenta.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Minas no Madrid Fusión é conspiração



Sim, a participação de Minas Gerais no principal evento da gastronomia mundial – Madrid Fusión – é pura conspiração. O Estado irá representar o Brasil como cozinha convidada no festival que começa no próximo dia 21. É a primeira vez, em 11 edições, que uma culinária local é homenageada e não um país.

Irão nos representar chefs importantes no cenário mineiro, mas, acima de tudo, pessoas que acreditam na valorização dessa gastronomia como nossa cultura, nossa história. Pessoas que se preocupam com os processos artesanais, a origem da matéria prima, o produtor rural. Pessoas que conseguem refletir tudo isso em uma cozinha moderna, capaz de mostrar ao mundo os sabores de nossas montanhas.

São eles: Dona Lucinha (Dona Lucinha), Edson Puiati (Senac Minas), Eduardo Avelar (Conspiração Gastronômica), Eduardo Maya (Comida di Buteco), Felipe Rameh e Frederico Trindade (Trindade), Guilherme Melo (Hermengarda), Ivo Faria (Vecchio Sogno), Leonardo Paixão (Taste-Vin), Nelsa Trombino (Xapuri), Pablo Oazen (Assunta) e Rafael Cardoso (Atlântico).

A Conspiração Gastronômica é uma Oscip que tem lutado de várias formas para preservar e promover a culinária mineira. E, em busca disso, quando esteve na última edição do Madrid Fusión a entidade deu início ao projeto de participação para esse ano. Ao longo dessa jornada alguns obstáculos foram surgindo, mas nada que os intimidassem. Hoje, com apoio do Governo de Minas, estão de partida não só os conspiradores, mas também nossos queijos, cachaça e café. E esse é só o começo...

sábado, 5 de janeiro de 2013

Saraiva


Charmosa, aconchegante e com uma qualidade surpreendente. Essa é a Saraiva Quitutes e Quitandas, que a menos de um ano faz parte do coração da Savassi e do meu também. Em uma prateleira estão bolos, biscoitos, doces e geleias. Na outra, sucos, salada de frutas e sanduíches naturais. Tudo fresquinho e muito saboroso.

A melhor surpresa até hoje foi o bolo de banana, um dos melhores que já comi. Mas, de tão gostoso, acaba rápido. Sai do forno por volta de 14h e em pouco tempos só ficam as migalhas. Vale a pena conhecer!

Rua Paraíba, 1378, Savassi
(31) 3225-8500