quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Entrevistando Geraldo Azevedo



A musicalidade do pernambucano Geraldo Azevedo divide espaço com os temperos e sabores de sua cozinha. Para ele, um prato bem apresentado abre o apetite, assim como os aromas despertam nossa fome.

O artista diz que sabe se virar na cozinha e relembra uma composição que relaciona música e comida. “Tenho uma canção, o Oitavo Pecado Capital, do disco Tempo Tempero, que fala da farinha e da rapadura. Tem um trecho que diz ‘eu quero é mais tempero nesse pirão”. Conheça um pouco das preferências gastronômicas desse artista, que sou grande fã.

Criança – As frutas que davam na roça lá de casa: tamarindo, caju, banana, umbu, seriguela. Eram tantas. Peixe, que às vezes era nossa responsabilidade pescá-los para levar o alimento para casa.

Com os amigos – Não tem nada especial, gosto de comer o de sempre. Depende do restaurante. Sempre é bom dividir uma pizza com os amigos.

Café da manhã – Um suco de fruta, fibras como linhaça ou aveia e sempre termino com um café com leite ou um cappuccino.

Madrugada – Depende, mas geralmente é doce ou queijo.

Restaurante – Um dos meus favoritos é o Alcaparra, no Flamengo ( Rio de Janeiro), adoro um prato preparado com bacalhau dessalgado.

Dia-a-dia – Arroz integral, legume, verdura e um peixe ou frango.

Nem amarrado – Não tem nada que eu não coma, mas acho que eu não comeria cachorro nem amarrado. Sei que tradições alimentares estão relacionadas a cada cultura e há lugares onde se come carne de cachorro, mas acho que não comeria nem amarrado.

Tradição – Ah! São muitas, como já disse o pecado que cometo inúmeras vezes é a da gula. Acarajé é uma comida típica, tradicional da Bahia, e toda vez que vou a Salvador tenho que comer e ainda compro para levar para casa.

Copo – Água e vinho.

Sonho – Acho que não tenho muito essa onda não, mas gostaria de provar faisão.

Matéria produzida para o Gourmet Virtual.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"A cozinha brasileira em suas diversas formas tem que ser a estrela dos hotéis do Brasil"



Trocando figurinhas com a chef Mônica Rangel, que comanda o restaurante Gosto com Gosto, ela me contou um caso que desconhecia e que não gostei nada, nada. Confira trecho de nossa conversa:

Assistindo o Bom Dia Brasil ouvi falar sobre a nova portaria do Ministério do Turismo com relação à classificação hoteleira. Achei ótimo a EMBRATUR voltar a atuar no setor e o retorno das estrelas, que são tão significativas. O que me chamou a atenção negativamente foi quando disseram que a classificação dos hotéis de 5 estrelas com relação à gastronomia seria a obrigatoriedade de ter um restaurante de cozinha internacional. Fiquei consternada e abismada com a notícia, afinal trabalho e defendo a gastronomia brasileira.
 
Fui buscar esta portaria na internet e os contatos com o presidente da EMBRATUR, Sr. Flavio Dino, para dar minha opinião sobre esse assunto. Pesquisando o Anexo II da Portaria nº 100 de 2011 do Mtur no requisito Alimentos e Bebidas, as exigências de classificação para Hotéis de 4 e 5 estrelas é ter restaurante de cozinha internacional e eles usam o termo "cardápio de cozinha regional ou típica" como opcional para 4 estrelas. Nos de categoria inferior nem isso. Neste caso não caberia a obrigatoriedade de ter restaurante de cozinha brasileira e internacional pelo menos nas categorias 4 e 5 estrelas? 

Mais grave ainda, no anexo IV, são os hotéis históricos, que deveriam valorizar completamente nossa gastronomia, nossa história e eles nem mencionam a cozinha brasileira.
 
Quando viajo para fora do Brasil, tanto a trabalho quanto a passeio, quero conhecer o lugar como um todo,  principalmente sua comida. O turista estrangeiro tem muito a conhecer de nossa gastronomia, pois é riquíssima e extremamente agradável ao paladar. A cozinha brasileira em suas diversas formas tem que ser a estrela dos hotéis do Brasil, ainda mais agora com a grande visibilidade que teremos com a Copa e as Olimpíadas, onde teremos uma grande quantidade de turistas ávidos por conhecer o Brasil em sua totalidade.
 
Somos o País do futuro na economia, turismo e na gastronomia também. Repare que na Itália os grandes hotéis servem comida italiana, assim como na Franca, Portugal, Espanha.... 

Temos que nos mirar nesse orgulho que eles sentem de sua cozinha.

Monica Rangel 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Queijo em pauta


Um ícone da culinária mineira tem sido tema de muitas discussões e comentários ultimamente: nosso querido queijo. Muito se fala sobre suas características, qualidade, versatilidade e, principalmente, sobre a proibição. Isso porque o nosso queijo é produzido a partir de leite cru, ou seja, que não tenha passado por processo de pasteurização.  E isso incomoda muito aos órgãos regulamentadores. E incomoda ainda mais aos seus defensores, que acreditam em um produto que mantenha não só segurança alimentar, mas que mantenha originalidade, tradição e cultura. Pensando nisso,  darei início a uma série dedicada ao queijo. Para começar os trabalhos, vejam as últimas notícias...

No Comida di Buteco de 2012, em Belo Horizonte, o ingrediente homenageado será o queijo.

A Conspiração Gastronômica defende com fervor esse ingrediente e recentemente publicou uma matéria sobre o assunto.

Eduardo Avelar estreou na Rádio Guarani o Programa Sabores de Minas, numa bem humorada crítica à legislação do queijo. Além disso, seu blog sempre tem esse ingrediente.

O mestre Carlos Dória também tem falado em seu blog sobre o queijo.

Acaba de ser lançado o documentário O mineiro e o queijo, de Helvécio Ratton.
Pegando carona no lançamento do documentário, Girão teceu em seu blog.

É só o começo...

sábado, 1 de outubro de 2011

Tira gosto mais que especial



Se você salivou imaginando uma generosa porção de torresmo na foto acima. Pasmem, não é! Esse é um dos pratos que mais me surpreendeu até hoje, dobradinha frita com molho de mexerica. Tive o prazer de conhecer em uma viagem com a equipe do Programa Sabores de Minas.

A experiência surpreendeu não só pelo sabor, mas também pela animação e carisma de Eliana Silva, que comanda a receita e a cozinha do restaurante Rapa do Angu, na região de Brumadinho.

É um prato delicioso, econômico, fácil de fazer e que implora por uma cerveja gelada. Ficou com vontade? A receita está bem aqui...

Dobradinha
1 quilo de dobradinha picada em pedaços pequenos
2 dentes de alho amassados com sal
1 colher (sobremesa) de colorau
3 colheres (sopa) de bicarbonato de sódio
Pimenta-do-reino a gosto
2 xícaras (chá) de fubá de milho
Óleo para a fritura

Geléia de mexerica
1 litro de suco de mexerica
2 xícaras (chá) de casca de mexerica
Meia xícara (chá) de azeite
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de cravo moído
1 colher (chá) de gengibre ralado
5 pimentas dedo de moça
1 xícara (chá) de açúcar cristal
2 dentes de alho amassado

Molho
4 colheres (sopa) de geléia de mexerica
1 colher (sopa) de molho inglês
1 pitada de pimenta-do-reino
1 colher (sopa) de molho de pimenta
1 colher (sopa) de vinagre

Limpar bem os pedaços de dobradinha, cobrir com água e bicarbonato e deixar ferver. Escorrer e ferver novamente, com a mesma quantidade de água limpa. Retirar os pedaços e refogá-los com alho e sal. Pôr o colorau e a pimenta-do-reino.Acrescentar um litro e meio de água e deixar cozinhar por uma hora. Retirar os pedaços com uma escumadeira e imediatamente passá-los no fubá. Rapidamente, despejá-los no óleo quente e deixar dourar.

Para a geléia, bater todos os ingredientes no liquidificador e levar ao fogo, até que a mistura fique bem consistente. Esfriar e pôr em potes esterilizados. E para finalizar o molho, misturar todos os ingredientes e servir como acompanhamento da dobradinha frita.

sábado, 24 de setembro de 2011

Entrevistando: Letícia Massula

Feita de cultura, sentimento e pimenta, Letícia Massula, responsável pela Cozinha da Matilde, em São Paulo, presenteia o blog com sua participação nesta entrevista. Não preciso me alongar, pois suas respostas dizem tudo. Saboreie...

Você tem outras atividades, quando percebeu que a gastronomia faria parte de sua vida?
O que eu me pergunto até hoje é porque que fui fazer direito e ser advogada, rsrsrs. A verdade é que, apesar da gastronomia estar em minha vida desde que me entendo por gente (e talvez por isso mesmo), quando pensei em uma profissão, pensei em algo tradicional e não na cozinha. Cozinhar para mim sempre foi uma atividade cotidiana, natural, eu não enxergava como profissão e sim como uma habilidade a ser compartilhada com os amigos. Até que me dei conta que a vida é muito longa para a gente fazer uma coisa só e, depois de 12 anos advogando, resolvi que era hora de abraçar o fogão. E então fui estudar, aprimorar a técnica e todo este processo virou a Cozinha da Matilde.

Em que está trabalhando atualmente?
Além da demanda cotidiana da Cozinha da Matilde, ando, cada vez mais, pensando sobre comida, tenho lido e estudado. Estou também muito envolvida com o que produzo na pequena horta de casa e com a origem de cada ingrediente que uso, desde o produtor até chegar à minha cozinha. Também tenho estudado bastante sobre carnes e peixes. Logo começo um estágio em um açougue, estou vibrando.

Você é muito ligada em questões culturais, qual importância da relação cultura e comida?
Cultura e comida andam lado a lado. A melhor maneira de saber sobre um povo é experimentar sua comida. Estudando a comida aprendemos a geografia, história e costumes de cada país, cada região. Gosto de refletir sobre nossas escolhas alimentares, os alimentos nobres, os populares, as diferentes composições de sabores, as diferentes maneiras de preparar um mesmo ingrediente. Eu aprendo muito olhando a comida alheia. Quando penso em um prato, uma receita, uso todo este aprendizado, toda esta mescla cultural, gosto muito de brincar com isso e acredito ser um dos ingredientes que mais enriquecem a comida que faço. Gosto de apresentar para as pessoas outras culturas através da comida. É uma maneira de viajar pelo mundo sem sair de casa!

Quais são suas influências na cozinha?
Sou fã e gosto muito de alguns autores, cozinheiros e linhas de pensamento dentro da gastronomia, são eles que a maior parte das vezes responde aos meus questionamentos sobre comer e cozinhar. Mas minhas grandes referências são as cozinhas e cozinheiras/os da minha infância. Duas delas eu não posso deixar de falar: minha avó Maria e a mãe Landa (que adotei como segunda mãe). Elas são responsáveis pela minha paixão e toda a minha base como cozinheira. E foi incrível descobrir quando fui estudar gastronomia, que as duas, apesar de nunca terem feito nenhum curso, cozinhavam com a técnica perfeita.

Sua cozinha é feita de que?
Uma mistura de paixão, intuição, técnica e diversão - que não pode faltar nunca, em qualquer coisa que fazemos. Se não for prazeroso mude o canal!

O que te emociona na cozinha?
Além da própria comida, o que rola em volta da mesa. A cozinha me permite fazer parte dos momentos de descontração e alegria das pessoas. Quando elas chegam até aqui é para um momento especial, feliz. Fazer parte disso é o meu combustível.

Qual seu prato preferido?
Essa pergunta é piada interna na minha família. Eles brincam que meu prato preferido... são todos! Sou uma onívora convicta e super ‘bom garfo’, como de tudo e acho bom. Mas fazendo um esforço para falar em preferências, sou apaixonada pela comida brasileira e também adoro a asiática. Mas se quer mesmo me agradar, nada como uma galinha caipira com pequi! E se vier acompanhada de um refogadinho de jiló e uma saladinha de tomate...

O que lhe tira o apetite?
Preconceito. Qualquer pré-conceito. É o maior atraso para a vida da gente e para a vida do planeta.

Porque é uma moça feita com pimenta?
Amo pimenta! Tenho uma dedo-de-moça tatuada no braço (a mesma pimenta do logo da Cozinha), acho um alimento incrível, que além de saboroso, traz um monte de benefícios para a saúde. Entre outros, a capsaicina (componente ativo das pimentas) funciona como analgésico, antidepressivo, anti-séptico. E mais que aromatizar a comida, é um estado de espírito: a vida da gente tem que ter um toque de pimenta!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Zezé

Ontem fiz uma vista ao Bar do Zezé, que ficou conhecido através do Comida di Buteco. Aliás, o bar não existia antes disso, era uma mercearia com algumas mesas apenas. Já na primeira participação no CDB, o bar levou o primeiro lugar e não parou mais. Em 7 anos de participação, foi duas vezes o primeiro lugar, três o segundo, uma no terceiro e uma para o quarto lugar. É um sucesso, sem dúvidas. E também não tenho a intenção de discutir isso.
Em nossa conversa, entre causos e histórias, Zezé por algumas vezes ficou corado de emoção ao falar de sua vida. Já eu, fiquei uma única vez, mas não só corada, junto veio o arrepio, a palpitação e tudo mais que um momento de emoção permite.
O motivo disso tudo eu explico. Perguntei a Zezé qual era o segredo de tanto sucesso e tive como resposta o que já esperava: amor ao que faz, união da família, acreditar no sonho, etc. Fiquei satisfeita com a resposta, era o que queria ouvir. Adiante na prosa e Zezé me conta, com a maior naturalidade, como foi a relação com a fiel clientela quando a mercearia se transformou em bar.
“Meus clientes eram do tipo cadernetinha, anotavam tudo lá e vinham no princípio do mês acertar a conta. Pagavam a soma do mês anterior e anotavam novamente. Era sempre assim. Quando a mercearia acabou, eu não podia cobrar tudo deles, pois eles iam precisar de dinheiro para comprar em outro lugar. Menina, dinheiro de pobre é contado! Então, combinei com eles que iriam me pagar uma parte, o que pudessem. Assim, iam ter dinheiro para as compras daquele mês”
Eis a receita de sucesso dele. Com essa resposta não fiquei satisfeita, mas completamente encantada. Gente, descobri que Zezé é o cara. Gente, o mundo precisa de mais caras assim.

Vale uma visita ao bar e, principalmente, a Zezé
Rua Pinheiro Chagas, 406 - Barreiro de Baixo
Belo Horizonte - MG
Tel: (31) 3384 2444

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Coração de bananeira


Alguns chamam de coração de bananeira, outros, de umbigo de banana. Para quem não conhece, é fácil identificar. Sabe aquele cone roxo que fica no cacho de banana, é isso mesmo. Após descascá-lo, você descobre essa iguaria, um elemento que revela importante tradição na cultura de Minas.
Comum nas cidades de interior e fazendas, uma vez que as casas costumam ser rodeadas de bananeiras, o ingrediente era tido em abundância. Isso porque a fruta se adapta bem ao clima tropical e ao solo brasileiro. Contudo, atualmente, encontrar umbigo de banana nos grandes centros, é tarefa árdua.
Além dos problemas diversos em cultivar e comercializar o umbigo de banana, o extinto produto está caindo no esquecimento gustativo de nosso povo, perdendo sua valorização. O saboroso prato, que costuma acompanhar costelinha e lingüiça de porco, é uma combinação perfeita para resgatar as raízes de nossa culinária.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Entrevistando: Alessandra Blanco


O Feito com Pimenta surgiu do prazer em escrever somado à paixão pela cozinha. Além disso, da admiração e leitura de outros blogs, que são referência para mim. Um desses é o Comidinhas, assinado por Alessandra Blanco, que cedeu cinco minutinhos de seu concorrido tempo para responder essas perguntas. 
Como começou sua história com a gastronomia, de onde surgiu esse interesse?
Sempre gostei de ler revistas de gastronomia e pensava em escrever sobre o assunto um dia. Quando apareceram as ferramentas de blog, logo em seguida, fiz uma viagem pela Costa Amalfitana, na Itália, fiquei encantada com a comida e resolvi começar a escrever o blog.

Há quanto tempo atua com o blog?
Vai fazer 5 anos.

Como é a Alessandra escritora?
Eu sou jornalista, sempre gostei de escrever. Mas com a gastronomia me identifiquei totalmente, pude me soltar mais, escrever em primeira pessoa, contar mais histórias.

Como é seu trabalho atualmente?
Trabalho como editora executiva do iG, cuido de todo o conteúdo feminino, saúde, turismo, jovem, gastronomia, arquitetura, decoração, luxo, beleza, comportamento, amor e sexo. Escrevo reportagens de gastronomia para a Vogue, Vogue Homem e RG Vogue, dou aulas de jornalismo gastronômico na Faap e vou começar um programa de culinária na Fox Life.

Como jornalista, o que acha da relação mídia e gastronomia?
Acho que cada vez mais temos cadernos de gastronomia em jornais tradicionais, cada vez mais revistas dedicadas ao assunto, sites e blogs. Acho que vivemos um ótimo momento.

O que acha das mudanças na gastronomia, o que podemos esperar no futuro?
Acho que estamos terminando o ciclo do que foi chamado gastronomia molecular, com espumas, esferificações e muita tecnologia. E acredito que vamos cada vez mais entrar na gastronomia consciente: orgânicos, produtos locais, valorização de pequenos produtores, qualidade, etc.

O que mais admira em um prato?
O sabor.

Você se garante na cozinha?
Opa, super.

Qual feito mais se orgulha?
Meus pães.

O que gosta de comer?
De tudo, muito mais comida de mãe.

O que não come de jeito algum?
Outro dia vi na TV uma garota comendo olho de cabra. Acho que isso eu não encaro não.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pimenta nos olhos


Da fotógrafa especializada em produções culinárias, Luna Garcia, que selecionou essas imagens especialmente para brindar os 2 anos do Feito com Pimenta.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Lápis de cozinha

Quem não quer um lápis desses para brincar na cozinha?


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cozinhando com prazer


Quando larguei toda uma vida profissional para ir para cozinha, fui alvo de muitas críticas. Muitos achavam que eu estava sendo louco e que não deveria transformar meu hobby em carreira. Já outros me apoiavam e diziam que eu deveria correr atrás do meu sonho.

Quase dois anos se passaram e até hoje, muitos conhecidos me perguntam se valeu a pena ou se eu me arrependo. Não me arrependo e acredito que já valeu e ainda vai valer muito a pena.

Trabalhar com gastronomia é uma atividade extremamente gratificante. Sabe por quê? Trabalhamos para fazer as pessoas felizes! È muito lindo ver a reação de um cliente quando um prato nosso chega à sua mesa, os olhos brilham, ele comenta com o seu companheiro ao lado: “Nossa, deve estar uma delícia!” e a reação da pessoa quando dá a primeira garfada no prato? Sem comentários. É muito bom!

As pessoas vão ao restaurante, para celebrar uma data especial, para conquistar, às vezes para impressionar, ninguém (na maioria das vezes) está ali obrigado e, isto, torna o nosso serviço muito mais fácil e prazeroso. Queremos servir uma comida que seja digna daquele momento!

Claro que nossa vida, também é “feita com pimenta” e às vezes, daquelas bem ardidas! Uma sexta feira quando a casa está lotada de reservas e todos na cozinha ficam tensos, um cliente que chega quando estamos com a cozinha quase fechada, um compromisso que não podemos comparecer porque trabalhamos até tarde...

Cozinhar é quase uma alquimia, é saber transformar e valorizar uma simples batata que um dia alguém plantou em uma roça bem distante, sem pretensão alguma, e fazer dela uma batata rosti, dauphinoise, ou até mesmo uma simples batata assada para agradar aos mais diversos paladares. E, em volta desta batata, é criado um momento de celebração, descontração e de pura felicidade, seja em um restaurante ou em um almoço de domingo com a família.

Do cozinheiro, blogueiro e amigo Felipe Tavares, que escreveu esse texto especialmente para brindar os 2 anos do Feito com Pimenta.

sábado, 30 de julho de 2011

Entrevistando Montse Estruch


Em bate-papo rápido com a chef catalã Montse Estruch conheci um pouco mais sobre seu trabalho e história. Chef e proprietária do famoso restaurante El Cingle, em Vacarises, distrito de Barcelona, Montse é conhecida especialmente por suas obras de arte na cozinha, verdadeiras pinturas no prato. Conheci a chef no Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Araxá e vez em quando trocamos algumas figurinhas. Confira o pingue pongue com ela.

Quando percebeu que a gastronomia fazia parte de sua vida?
Gastronomia passou a fazer parte da minha vida aos 28 anos.

Você é muito ligada em questões culturais, qual importância da relação cultura e comida?
Cultura e gastronomia estão sempre ligadas, como parte da cultura de um país e seu povo.

Quais são suas influências na cozinha?
Minhas influências na cozinha são as experiências e momentos que podem acontecer em qualquer lugar do mundo.

Qual maior desafio vivido até hoje?
O maior desafio... cozinhar para o príncipe de Espanha.

Como você analisa a evolução e o futuro da gastronomia?
O futuro da gastronomia é a evolução, mas sempre lembrando os princípios. É a base de uma boa cozinha e uma obra feita de memórias.

Qual sua obra prima?
Meus pratos com flores, os jardins comestíveis. Mas o melhor de tudo é a minha profissão.

Como é seu processo de criação?
Meu processo foi ao lado de minha mãe na cozinha, ainda muito jovem. Isso me levou a vencer e ser exigente a cada dia da minha vida.

O que te emociona na cozinha?
Da cozinha me animam as cores do produto, ferver, cozinhar, os processos, o fogo... Existem tantas emoções na cozinha.

Qual seu prato preferido?
Gosto de ingredientes recém colhidos do meu campo cheio de verduras e flores. E também os ovos de galinha. Sempre com uma boa companhia de meus amigos e pessoas que amo.

O que ama e o que odeia no prato?

O que eu adoro é a simplicidade, o que eu não gosto é de caça.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

As comemorações continuam


De Lisabell Calhau, que fez um selo comemorativo para brindar os 2 anos do Feito com Pimenta.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Feliz atendimento

Tem uma coisa a qual dou muita importância: bom atendimento. Seja onde for. Em uma loja de grife, no bar ou no ônibus do dia a dia. Entendo que existem mal dias, mas quem trabalha com o público tem que fazer uma forcinha para deixar todos à vontade e satisfeitos.

E o que me encanta são aquelas pessoas que cativam e fazem um atendimento belo naturalmente. Parece que nasceram com o dom de entreter as pessoas. No último Festival de Gastronomia de Tiradentes, havia uma mocinha com um sorriso maravilhoso, que mesmo após 12 h atendendo as movimentadas mesas, mantinha a alegria em atender. Chamou minha atenção.

E numa recente visita ao Mar Mineiro, em Macacos, fiquei encantada com a animação contagiante do garçom Carlim. Ele dá conta de interagir com todas as mesas, bate-papo e diverte todos com sua risada. Até eu entrei na onda e fui comtemplada com uma dança ao som de Andanças.

Bons exemplos, passe à diante.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Refazendo tudo



O McDonald’s, em parceria com o Clube das Mães, desenvolve um projeto bacana para reaproveitar os banners usados para divulgação em suas lojas. É o Projeto Refazendo, que produz aventais, estojos, lixeiras para carro e outros artigos com esse material.

A parceria funciona com o McDonald’s fornecendo os banners e comprando os produtos do Clube das Mães. As peças são distribuídas como brindes para fornecedores, funcionários, convidados de eventos institucionais e blogs lindos que estão fazendo dois anos de existência.

Recebi os mimos hoje e fiquei encanta com o carinho e atitude da marca. Eles não fazem apenas McLanche Feliz!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Bombom de marshmallow de pimenta


Ingredientes
2 pimentas vermelhas (dedo-de-moça) médias, sem sementes, bem picadas
3 claras
500 g de cobertura de chocolate meio amargo
2 xícaras (chá) de açúcar

Modo de fazer 
Dissolva o açúcar em 250ml de água e leve ao fogo médio, sem mexer, até obter uma calda em ponto de fio. Quando estiver quase no ponto, junte a pimenta à calda. Bata as claras em neve, retire a calda do fogo e despeje-a lentamente sobre as claras, sem parar de bater, até obter um marshmallow. Reserve. 
Derreta o chocolate (microondas, 2 a 3 minutos em potência média). Escolha fôrmas de bombom grande, de sua preferência, e preencha-as com o chocolate. Vire as fôrmas com as cavidades de boca para baixo e retire o excesso de chocolate, deixando apenas um revestimento de chocolate sobre as cavidades. Raspe o excesso de chocolate da borda das cavidades. Mantenha as fôrmas viradas e leve-as à geladeira para secar. Quando o chocolate estiver seco (aproximadamente 1 minuto) retire as fôrmas da geladeira e recheie os bombons com uma porção de marshmallow. Feche os bombons, cobrindo-os com o restante do chocolate derretido. Nivele com uma espátula e leve à geladeira para secar completamente. Retire da geladeira e desenforme os bombons. 

Do Petit Pois Atellier de Doces, que fez essa receita especialmente para brindar os 2 anos do Feito com Pimenta. 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Amor al dente



Os religiosos que me perdoem, mas há algo tão onipresente e divino quanto Deus, o Amor – grafado assim, em maiúscula, de tão poderoso que é.  Ele está dentro de nós, em cada célula, em cada mitocôndria; Está em tudo que não podemos tocar, em nossas lembranças, sonhos e pensamentos; Está ao nosso redor, em cada respingo d’água; em cada objeto; em cada fagulha; em cada pedra; em cada flor. O Amor tem também benefícios milagrosos, o poder da cura, do perdão, potencial para mudar toda a humanidade, e ainda assim, é de graça e está em todas as partes. E não é difícil ter Amor em sua vida basta distribuí-lo, quando mais se dá, mais se tem em troca, não há moeda que seja tão vantajosa.

O livro na sua cabeceira dado pela sua mãe – é Amor; As fotos no mural da sua parede – são Amores; Vários e vários contatos do seu celular – são amores; Uma risada demorada – é amor; Um banho gostoso e refrescante no verão – é Amor; A primeira espreguiçada da manhã – é Amor; Uma boa música – é Amor. E antes que cheguemos ao sertanejo, que tem o mesmo mote que o meu, é preciso chegar a uma das mais bonitas materializações do Amor: Cozinhar – é Amor.

Quem quer conquistar ou manter o Amor faz jantar; Quem já tem e quer retribuir Amor faz café da manhã; Quem quer reunir Amores faz almoço, lanche, piquenique; Quem se ama se dá um docinho volta e meia; Amor de mãe faz ela pensar mais na lancheira do filho do que nas suas próprias unhas por fazer; Amor de amigas vira brigadeiro na tristeza; Amor de galera vira caldo para – junto com outros aperitivos - esquentar o frio; Amor a dois vira fondue, vira chocolate, vira vinho; Amor da vida toda vira feijão com arroz, mas sem perder o tempero.

O segredo da felicidade para mim é enxergar que cada sutileza da nossa vida é Amor, porque são justamente essas sutilezas que trazem a graça do todo. Às vezes não dá para prestar atenção nesses detalhes, porque é tudo tão corrido, porque se tem problemas, porque tem horas que passa do ponto, tem horas que fica cru e tem horas até que queima. Mas é a partir da consciência do Amor nas minúcias, que percebemos a importância de cada pitada de sal, do paladar do doce, da escolha certa do tempero, do corte do alho, da mistura da farinha, da textura do queijo, do ardido da pimenta, do toque do açúcar na língua e da presença do afeto na vida.

Da blogueira e amiga Fabíola Mattos, que escreveu esse texto especialmente para brindar os 2 anos do Feito com Pimenta. 

domingo, 26 de junho de 2011

Casa em festa


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Casal gourmet


Para o Dia dos Namorados, uma entrevista com o casal de chefs Dalton Rangel e Mariana Palmeira, que comandam juntos o Yuca Gourmet.

Como foi começar essa história dentro da cozinha?
A princípio foi bastante inesperado. Estávamos em um programa para mostrar o valor que tínhamos profissionalmente e acabamos nos encontrando. Depois acabou sendo essencial a companhia e apoio um do outro para continuar confinado. E, finalmente, quando saímos de lá, foi perfeito, pois tínhamos um ao outro e seguimos em frente trabalhando juntos e assim estamos ate hoje!

Casais costumam ter músicas especiais, vocês tem algum prato ou ingrediente que marcou a história dos dois?
Pratos e ingredientes são nossa vida! É difícil falar de um que marcou, mas temos um cardápio inteiro de "xodós" que criamos nos seis primeiros meses juntos e que até hoje utilizamos em vários de nossos cardápios. Mas como qualquer outro casal não podemos deixar de mencionar a música do Coldplay "Viva la vida", que sempre traz recordações do início da nossa história.

Se conquistaram pelo estômago?
Não. O fato de termos a mesma profissão só torna tudo ainda mais interessante!

Como é estarem juntos na cozinha?
Hoje em dia não trabalhamos na mesma cozinha o tempo todo. Então é sempre bom e prazeroso quando temos a oportunidade de estarmos cozinhando juntos.

O que se lembram do outro gastronomicamente?
Mariana: Gosto de tudo que o Dalton faz, principalmente quando estamos os dois sozinhos ou em família. Mas o que eu mais adoro é quando ele está inspirado pra fazer aquela massa com molho de tomate e panceta no capricho!
Dalton: Adoro o Yakissoba da Mari. Foi um dos primeiros pratos que ela aprendeu a fazer com o pai dela e faz sempre com muito carinho e lembranças... Ela tem muitas versões desse prato e todas são maravilhosas.

Mimos


Eu já declarei várias vezes que sou fã do trabalho das amigas e cozinheiras Paula Brito, Isabella Lanza e Isabella Christo. Assino embaixo e indico o trabalho delas a todos. Recentemente fiz uma visita no Petit Pois Atellier de Doces, onde as meninas mostram um trabalho de qualidade e cuidado. Elas produzem verdadeiros mimos, não são apenas doces, chocolates ou presentes, é algo especial.
 
O lugar é um charme e as meninas só simpatia. Além disso, você ainda corre o sério risco delas te carregarem para um bar próximo, que já virou quintal do atellier, para tomar umas cervejas e estender o papo. É uma delícia!

Para o Dia dos Namorados elas estão com produções belíssimas e que certamente irá agradar à pessoa amada. Entre no site e se encante...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

1ª linguiçaria autorizada em Manhuaçu

 
A Linguiçaria Maria José acaba de ser liberada como a primeira linguiçaria devidamente capacitada para produzir produtos suínos como linguiça e torresmo em Manhuaçu, Zona da Mata Mineira. A oficialização aconteceu recentemente, quando fiscais da Vigilância Sanitária atestaram que a produtora e proprietária Maria José Marcial de Almeida estava apta para trabalhar com esse tipo de fabricação.
 
Para a bióloga e coordenadora do setor de Vigilância Sanitária, Maria Lúcia Dutra Rocha, a fiscalização foi protelada no município até que, a partir do ano passado, o órgão assumisse o trabalho. “Em novembro desse ano o Selo de Inspeção Municipal (SIM) será instalado em Manhuaçu e ficará responsável por inspecionar a produção nas fábricas, enquanto nós continuaremos fiscalizando o produto no comércio”, completa.
 
Para Maria José, uma história que começou há 21 anos passa agora por uma nova fase. “As mudanças realizadas na fábrica são importantes não só para um produto ainda melhor, mas também para uma qualidade de vida no trabalho”. Segundo ela, a linguiçaria faz parte de sua história, pois foi com essa atividade que pôde ajudar a constituir e criar uma família. Um exemplo que aprendeu com a sua mãe, Maria da Conceição Marcial, juntamente com a receita de sucesso de seus produtos.
 
Foi Dona Conceição que acreditou na filha e fez seu primeiro tempero. “Quando veio até a mim e disse que iria fazer linguiça, tratei de fazer uma receita bem grande de tempero”.  Ela conta que seu filho mais novo brincou com a quantidade, mas que imediatamente respondeu que se a decisão de Maria José era fazer linguiça, então, faria muita. “E os anjos disseram amém”, completa com a voz emocionada.
 
Já para a sócia proprietária da Mercearia Adril, Inácia Marcial de Aguiar, que além de irmã de Maria José é revendedora de seus produtos, comercializar tal mercadoria é um coringa. “Temos clientes que procuram a linguiça e torresmo, mas que acabam levando os demais ingredientes para o feijão tropeiro”, exemplifica. Sobre isso, a coordenadora Maria Lúcia ressalta que durante o trabalho com a linguiçaria de Maria José, ficou nítida a forma como a população de Manhuaçu gosta e sente falta de seus produtos.
 
A Linguiçaria Maria José se tornou não só exemplo para aqueles que pretendem se adequar às boas práticas dos órgãos de fiscalização, mas também um exemplo de luta e trabalho feito com responsabilidade. Além do cuidado com a qualidade e saúde dos produtos artesanais, a preservação de seus processos também é de fundamental importância. Isso porque são nessas receitas que identificamos muito de nossa cultura. Uma linguiça feita da forma tradicional, sem conservantes, e curada no fogão à lenha. Isso é Minas Gerais, é a nossa cultura sendo preservada em mãos e sabores especiais.
 
Quem respalda esse conceito é o Secretário de Saúde de Manhuaçu, Luiz Prata, que destaca a linguiça como um alimento da culinária mineira muito difundido na região, daí a grande importância da qualidade em sua produção. O Secretário mostra que a ideia é manter o processo cultural adequando-o às normas da Vigilância Sanitária. “Na busca da melhoria de qualidade de vida, a humanidade, em sua caminhada, vem dando passos fantásticos no empoderamento de novos saberes. Assim estamos em Manhuaçu: uma busca insaciável por uma melhor qualidade de vida da população, preservando, dentro do possível, os costumes locais”, completa.
 
E quando perguntamos a ele sobre a sensação de liberar a primeira linguiçaria na cidade, a resposta empolga. “Muito gratificante, sem dúvida! É o primeiro passo para outras conquistas. O trabalho apenas se inicia!”
 
Para quem não conhece os produtos, que agora estão com ainda mais profissionalismo e qualidade, vale à pena experimentar e se entregar a essas delícias. E para quem já degustou, vale ressaltar que o gostinho caseiro continua incomparável. É cultura de Minas saindo mais uma vez na frente. É Maria José continuando a escrever sua história como a 1ª linguiçaria autorizada em Manhuaçu.

Artigo de Mariana Marcial de Almeida, uma jornalista que, segurando a emoção, se atreveu a escrever um pedacinho da história de sua mãe.

domingo, 5 de junho de 2011

Acerolas


Para tempos em que carecemos de vitamina C, um viva às acerolas!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Comendo letrinhas


Notícia: O rede de supermercados Carrefour acaba de lançar o encurtador de URL Virou.gr.

Pergunta: O que tem de diferente dos demais?

Resposta: Cada caractere reduzido pelo site será transformado em um grama de alimento destinado a doação.

Opinião: Gostei!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Rio de Minas


Há algum tempo participei das aventuras do programa Sabores de Minas e suas viagens para descobrir as maravilhas gastronômicas em Minas Gerais. Para mim, algo que encaro como privilégio e nunca como trabalho, pois conhecer nossa cultura tão profundamente e presenciar momentos únicos é para poucos, apesar de achar que deveria ser para todos.

Contudo, devo confessar que em uma matéria específica não consegui acompanhar a trupe: aquela que estava do outro lado desse rio. A travessia é necessária para conhecer o famoso Bar do Beto, no arraial da Toca, em Brumadinho. Mas a jornalista que vos fala, não encarou as águas nervosas de uma temporada de chuvas. Do bar, conheci em terra firme o Beto e o lambari frito. Feliz assim.

Hoje não acompanho mais as viagens de corpo presente, mas tenho ponto marcado todos os sábados, às 10h, na TV Alterosa. E mais, para saber dos bastidores, acompanhe o Blog do Avelar, amigo e idealizador do programa. É imperdível.

domingo, 1 de maio de 2011

Para o mês que começa


Mês de maio bate na porta e, com ele, a boa safra de abóboras. Além do preço ficar mais sugestivo durante a safra, o produto tem mais qualidade e sabor. E com o início de um friozinho, um caldo de abóbora quentinho se faz um belo convite...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Eu boteco, tu botecas e nós, Comida di Buteco


Carne de sol, peixes do Rio São Francisco, feijão andu, requeijão escuro, buriti, cagaita, seriguela, pequi, rapadura, sementes de coentro fresca e manteiga de garrafa. Começa hoje o evento que combina cultura, comida boa, cerveja gelada e amigos. Em sua 12ª edição, o Comida di Buteco em Belo Horizonte homenageia o Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas com 11 ingredientes especiais.

Além da capital mineira, o evento acontece simultaneamente em mais 15 cidades do Brasil. E em uma delas, Juiz de Fora, estarei como jurada. Estou de partida para lá hoje, mas semana que vem já estou de volta para dar conta de 41 bares em Beagá.

Eu boteco!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sabores de Bracher



“Encontrei-me com Minas Gerais através da pintura de Carlos Bracher”. Essa é a definição de Carlos Drummond de Andrade sobre o trabalho de Carlos Bernardo Bracher. O mineiro de Juiz de Fora, que mora em Ouro Preto e que tem reconhecimento em todo o país e exterior.

Para o artista, gastronomia e pintura são riquezas muito próximas, que se ligam na “espectralidade cromática infinda”.  Ele ressalta, ainda, que Minas é tradição e uma dessas vertentes está justamente na culinária, feita de uma gente miscigenada, os mineiros. “A culinária é um dos grandes capítulos da vida”, enfatiza o artista.

Conheça o que está no prato de Carlos Bracher.

Criança – Arroz de forno da minha mãe, aos domingos.

Amigos – Tomo cerveja, acompanhado de um tira-gosto imbatível: queijo gorgonzola ou grana padano.

Madrugada – Na calada da noite, às vezes vou à cozinha. Como ontem, que convidei minha esposa Fani para conversarmos algo. Não foi nada especial, apenas petiscos. Valeu não pelo que comemos, mas pela companhia.

Café da manhã – Não tomo café da manhã, infelizmente. Perco, de fato, o start do dia. Fazer o quê?

Restaurante – Quando meu amigo Sérgio Pereira da Silva vem a Ouro Preto, vamos direto ao Restaurante Deguste. Lá nos espera um bom chopp gelado e um frango com abobrinha. Tudo em um ambiente encantador, cercado de belas pedras.

Todo dia – Sempre arroz. Gosto tanto do arroz que como arroz com arroz, isto é, purinho. Feito na panela de pedra e torradinho, prato dos deuses. E costelinha de porco, pena que a Fani não deixa mais de uma vez por semana, é comer e sonhar.

Só amarrado – Jiló. Não sou dado a legumes em geral, só salvo o inhame.

Tradição – O que me apetece é a comida do dia-a-dia, que não cansa. As estripulias mágicas, as desventuras, ficam para os dias régios.

Bebendo – Cerveja, talvez meu vício maior. Nela encontro os prazeres (e por vezes os desastres) etílicos de minha necessidade física. Um bom copo ao lado de amigos queridos é beirar o paraíso.

Luxo – O luxo para mim é a simplicidade das descobertas, mas lógico que a um bom camarão ninguém consegue resistir.

Trabalhando – Quando pinto retratos, em geral, bebo cerveja com petiscos. E pintando vagarosamente, as cores soltas na paleta, parece que vou voar, entre sons e alucinações de uma emoção incontida. O álcool, na medida certa, faz parte deste prodígio, quando o homem vai encontrar um novo lado que se transparece, sobretudo, nos adventos artísticos.

 Conteúdo que produzi para o Gourmet Virtual há tempos, mas que não perde seu encanto.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Pimentando


Quer ver essa pessoa feliz? Me solta nas barracas de pimentas do Mercado Central em Belo Horizonte...

terça-feira, 22 de março de 2011

Doce retiro


Entre sabores e matérias, me deparo com muita coisa gratificante, como a visita ao Retiro das Rosas, em Ouro Preto. Conheci o lugar no final de 2010, quando acompanhei o chef Eduardo Avelar e a equipe do Programa Sabores de Minas em suas gravações.

É um lugar mágico, que encanta por ser singelo e gracioso ao mesmo tempo. Comandando por irmãs de caridade, o que antes era um convento, funciona hoje como uma pousada. O lugar tem uma enorme extensão, que conta com espaço de lazer, charrete para passeios e pomares de encher os olhos.

Lá, pude ver na prática o conceito de sustentabilidade. Praticamente tudo que é consumido pelos hospedes é produzido pelas irmãs e sua equipe de funcionários. Beterrabas gigantes são colhidas pela manhã e servidas no almoço. Admirável e saboroso.

Lá, também encontrei tradições culinárias mantidas com vigor. Podemos ver o leite ser tirado das vacas, manipulado, virar queijo e compor a mesa de sobremesas mais tarde. Lindo e artesanal.

Lá, conheci uma pessoa especial, que nos recebe como um colo de mãe: Irmã Rosita. Sem barreiras de geração ou crenças, a conversa flui como uma amizade antiga. Boas risadas e muito aprendizado.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A flor do desejo


É a do maracujá!!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Eu quero!


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Biscoitos Garoto


Depois do sucesso dos picolés inspirados em chocolates da marca, a Garoto lança seus biscoitos. Serão quatro versões: Baton, Serenata de Amor, Talento e Garoto. Assim como foi com os picolés, os novos produtos serão comercializados inicialmente no Espirito Santo, Estado sede da fabrica. Pode ir ficando com água na boca...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Charme de xícara

 "Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeita..."

Lenda do bacuri

Outra lenda interessante é sobre a origem do bacuri. Dizem que, certo dia, na floresta, apareceu a cabeça de um índio caxinauá, que havia sido degolado por um de seus companheiros. A cabeça aterrorizava a tribo com exigências que deveriam ser cumpridas para evitar que não lhes fosse tirada a vida. Todos deviam buscar, na floresta, um fruto amarelo escuro e manchado, com casca dura e uma polpa deliciosa, vindo de uma árvore cheia de flores avermelhadas. Os índios obedeceram às ordens por muito tempo até que um dia alguém resolveu experimentar o fruto, sendo seguido por todos os outros índios. A cabeça ficou muito brava e se transformou na Lua. Depois disso, sempre que comiam a fruta, davam as costas para Lua.