quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sabores de Bracher



“Encontrei-me com Minas Gerais através da pintura de Carlos Bracher”. Essa é a definição de Carlos Drummond de Andrade sobre o trabalho de Carlos Bernardo Bracher. O mineiro de Juiz de Fora, que mora em Ouro Preto e que tem reconhecimento em todo o país e exterior.

Para o artista, gastronomia e pintura são riquezas muito próximas, que se ligam na “espectralidade cromática infinda”.  Ele ressalta, ainda, que Minas é tradição e uma dessas vertentes está justamente na culinária, feita de uma gente miscigenada, os mineiros. “A culinária é um dos grandes capítulos da vida”, enfatiza o artista.

Conheça o que está no prato de Carlos Bracher.

Criança – Arroz de forno da minha mãe, aos domingos.

Amigos – Tomo cerveja, acompanhado de um tira-gosto imbatível: queijo gorgonzola ou grana padano.

Madrugada – Na calada da noite, às vezes vou à cozinha. Como ontem, que convidei minha esposa Fani para conversarmos algo. Não foi nada especial, apenas petiscos. Valeu não pelo que comemos, mas pela companhia.

Café da manhã – Não tomo café da manhã, infelizmente. Perco, de fato, o start do dia. Fazer o quê?

Restaurante – Quando meu amigo Sérgio Pereira da Silva vem a Ouro Preto, vamos direto ao Restaurante Deguste. Lá nos espera um bom chopp gelado e um frango com abobrinha. Tudo em um ambiente encantador, cercado de belas pedras.

Todo dia – Sempre arroz. Gosto tanto do arroz que como arroz com arroz, isto é, purinho. Feito na panela de pedra e torradinho, prato dos deuses. E costelinha de porco, pena que a Fani não deixa mais de uma vez por semana, é comer e sonhar.

Só amarrado – Jiló. Não sou dado a legumes em geral, só salvo o inhame.

Tradição – O que me apetece é a comida do dia-a-dia, que não cansa. As estripulias mágicas, as desventuras, ficam para os dias régios.

Bebendo – Cerveja, talvez meu vício maior. Nela encontro os prazeres (e por vezes os desastres) etílicos de minha necessidade física. Um bom copo ao lado de amigos queridos é beirar o paraíso.

Luxo – O luxo para mim é a simplicidade das descobertas, mas lógico que a um bom camarão ninguém consegue resistir.

Trabalhando – Quando pinto retratos, em geral, bebo cerveja com petiscos. E pintando vagarosamente, as cores soltas na paleta, parece que vou voar, entre sons e alucinações de uma emoção incontida. O álcool, na medida certa, faz parte deste prodígio, quando o homem vai encontrar um novo lado que se transparece, sobretudo, nos adventos artísticos.

 Conteúdo que produzi para o Gourmet Virtual há tempos, mas que não perde seu encanto.

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