quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Versatilidade


Uma bebida que, de acordo com minha versão preferida, foi descoberta por um pastor de cabras. O tal pastor observou que os animais ficavam mais espertos quando ingeriam folhas e frutos do cafeeiro. A característica energizante do café ainda é um dos motivos para o consumo em dias atuais, mas a bebida surpreende.
Já foi moeda de troca, sinônimo de poder e riqueza, como também causadora de crises econômicas. Contudo, de umas xícaras para cá, o café passou a ser considerado também uma forma de arte, com várias facetas.
As receitas, combinações e padrão de qualidade do café são fatores traduzidos atualmente em uma categoria, a de barista. Esse profissional é conhecedor de todo o processo, desde o cultivo do grão até à temperatura ideal para servir a bebida. Aqui, café é arte.
Há ainda aqueles profissionais que desenvolvem seu lado artista, criando desenhos em cima da espuma de drinks com café. Nesse momento, é arte no café.
E para finalizar, apresento arte com café. Isso mesmo. Existe uma técnica de pintura em tela que utiliza o café solúvel, um pigmento natural. As obras são inacreditáveis, ficam parecendo um material envelhido. Esse trabalho é desenvolvido pelo artista Alexander P. Moreira, que na figura acima faz uma homenagem a Charles Chaplin.
Mais obras de Alexander: http://fotolog.terra.com.br/alexanderdesenhos

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Arte no biscoito


Em minha segunda cidade natal, Juiz de Fora, descobri biscoitos que são verdadeira obra de arte. A receita original é uma das muitas tradições germânicas que foram assimiladas pelos juizforanos ao receber a imigração alemã em 1858.

Vaneida Silva, uma brasileira que aprendeu a receita com a prima alemã, adaptou o açúcar mascavo para rapadura e criou uma apresentação única.

Os biscoitos são vendidos em Juiz de Fora na feira realizada no bairro São Mateus aos sábados. Mas, para quem quiser se aventurar e brincar na cozinha, é só seguir a receita.

Biscoito de rapadura
Ingredientes
230 gr de rapadura
35 ml de água
170 gr de margarina
1 colher de noz moscada
1 colher de cravo moído
2 colheres de canela
400 gr de farinha de trigo
Obs.: A medida das colheres é a de café.
Modo de fazer
Leve a rapadura e a água para o fogo até que derreta. Desligue o fogo e misture a margarina, a canela, o cravo e a noz-moscada. Coloque aos poucos a farinha de trigo até que forme uma massa homogênea. Deixe descansar por cerca quatro horas. Em seguida, abra a massa bem fina e corte com forminhas. Leve para assar em tabuleiro por 15 minutos aproximadamente em forno baixo e pré-aquecido.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Direto da Bahia


O nome Feito com Pimenta vem de uma paixão pessoal e também da ideia de ardido e suave. Um ingrediente muito versátil e cheio de surpresas, verdadeira paixão. Recentemente, algumas pessoas comentaram sobre o tal Feito com Pimenta, que lhes lembravam comida baiana. Pensando nisso, conversei com a Chef Tereza Paim, ícone da culinária baiana, que elaborou um pequeno dicionário desse mundo maravilhoso, tudo feito com muito tempero e pimenta, é claro.

Por Tereza Paim

Aberém
É um bolinho salgado de milho ou arroz, envolto na palha da bananeira e cozido no vapor. Somente usado nas oferendas do Candomblé.
Acaçá
Milho branco ou vermelho, que fica de molho em água de um dia para o outro. Depois é triturado para formar a massa que será envolta como bolinhos na palha da bananeira e cozidos no vapor. Também é oferecido nos rituais do candomblé.
Acarajé
Feijão fradinho, gengibre, cebola, sal e frito em azeite de dendê puro. Cartão postal da cozinha baiana e considerado patrimônio imaterial. Uma baiana tradicional quando abre seu tabuleiro em um dia de labuta, primeiramente frita uns pequeninos acarajés em oferenda aos santos. É uma forma de agradecer e pedir proteção para aquele dia de trabalho.
Aluá
Suco feito da fermentação da casca do abacaxi com gengibre e açúcar.
Arroz de hauçá
Arroz em água e sal, carne seca desfiada e camarão seco. Típico prato africano, que, segundo Rui Barbosa, é uma corruptela (hauça com água e sá).
Beiju
Feito da goma da mandioca. Quando faz a farinha de mandioca, rala-se a mandioca e ao espremer sai um líquido, eis nosso produto.

Bolinho de estudante
Tapioca molhada com coco seco e açúcar. Muito comum nos tabuleiros das baianas, também conhecido como punheta.


Caruru
Quiabo, gengibre, cebola, alho, leite de coco, castanha, amendoim e dendê. É a base do banquete de Cosme e Damião.

Efó
Feito de folha taioba ou língua de vaca, com camarão seco, coentros, cebola, alhos e pimenta. É uma comida de oferenda do candomblé das mesas baianas.
Lelê
Milho, açúcar, leite de vaca, leite de coco e coco seco. Vendidos pelas negras nas ruas, até hoje, em junho, compõe o tabuleiro das baianas mais tradicionais.

Maniçoba
Cozido de carnes secas, lingüiças, cebola, alho, bacon e maniva (folha da mandioca). Deve-se destacar que a folha da mandioca in natura é venenosa e, por isso, tem que haver um prévio preparo de cinco dias, lavando e fervendo.


Munguzá
Milho branco, coco seco ralado, açúcar  cravo e canela. É muito oferecido em cafés da manhã, em substituição do mingau.

Sarapatel
Sangue coalhado de porco, boi ou de cordeiro, tripas, cravo, tomates, cebola, pimenta, folha de louro, coentros. Deriva do sarrabulho Português.
Vatapá
Migas de pão ou inhame, leite de coco, dendê, camarão seco, castanha e amendoim. Acompanha o banquete de Cosme e Damião.
Xinxim de galinha
Ensopado de galinha, finalizado com camarão seco, castanha, amendoim, gengibre, leite de coco e dendê.