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Aconchego do fogão a lenha


“O fogão a lenha dentro de uma cozinha é um símbolo cultural”, afirma o chef Olivier Anquier em seu livro Diário do Olivier: 10 anos de viagem em busca da culinária brasileira. E de fato é, confirma a historiadora Renata Soares, pois “é um marco na nossa sociedade”.

O fogão a lenha, também conhecido como fogão caipira, faz parte da história culinária de nosso país, começando pelos índios, que tinham o Tucuruba, um artefato construído em um buraco no chão e protegido por pedras. A prática evoluiu e passamos a ter dois tipos de fogão a lenha, de metal e de alvenaria. O de metal é mais utilizado no sul do país e o de alvenaria no sudeste, em Minas Gerais e interior de São Paulo.

Com o passar dos anos e a modernização dos fogões para o uso de eletricidade e gás, o fogão a lenha passou a ser usado basicamente no interior do país. Contudo, segundo dados de pesquisa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), o uso de fogão a lenha nas áreas rurais em Minas Gerais é expressiva, pois está presente em 96,9% das casas. Pensando nessa marca, a Emater desenvolveu um projeto para construção de fogão a lenha que não esfumaça a cozinha, economiza lenha e torna mais rápido o processo de cozimento dos alimentos.

O fogão a lenha também desperta o lado bucólico das pessoas, por ser um ambiente aconchegante e tradicional em reunir a família para um café e uma prosa. Conversei com Dona Maria Stella Libânio Christo, ícone da culinária mineira. Vale ressaltar que o título de sua principal obra é Fogão de Lenha: 300 anos de cozinha mineira, livro que se tornou referência para gastronomia. Na juventude de seus 92 anos, Dona Stella diz que ‘a importância do fogão a lenha não está somente na história da sociedade, mas, principalmente, na sua relevância para a culinária’. Ela ressalta, ainda, que a comida fica mais gostosa e os sabores se acentuam de forma inigualável.

E para finalizar, cito um trecho da crônica Aconchego, de Camilo Durante Assis, um mineiro da cidade de Almenara, que mantém seu fogão a lenha sempre com uma chama em brasa.

“Final de semana na casa dos avós, lá no interior. Todos acordam bem cedo, junto com o galo dono do galinheiro. O cheiro é de café novo, fumaça de lenha e prosa. Ainda é frio e o lugar mais aconchegante está logo ali na cozinha. No canto da parede as brasas já brilham o vermelho do fogo. No varal logo acima, alguns espirais de laranja aromatizando o ambiente, lingüiças embutidas e alguns queijos cabacinha defumando. Na chapa, pedaços generosos de queijo minas e um pinhão debulhado. As pessoas se juntam ao redor, os rostos vão ficando corados e alma se aquece. É o aconchego do fogão à lenha”.

Comentários

Mari, tbm tenho uma queda comidinhas feitas no fogão à lenha...

Ontem mesmo fiz um molho de tomate com manjericão para um pene, no sítio de meu irmão, em Bom Despacho, em fogão à lenha.

Que seja tietagem, mas acredito que até café, em que a água foi aquecida em fogão à lenha, fica melhor...

Forte abraço.

Renner Menezes

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