quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Orgulho de Minas...

Das montanhas de Minas Gerais, inconfidentes ensaiaram um grito no final do século XVIII. A luta era contra a opressão dos colonizadores portugueses que, dentre outras exigências, proibia atividades fabris e artesanais. Tempos depois, outros mineiros também ensaiam um grito. Eles, que já foram tachados de loucos e sonhadores, conspiraram algum tempo até decidirem que é chegado o momento. É a hora de subir em montanhas e se fazer ecoar por horizontes distantes. Agora, é fazer valer a bandeira idealizada pelos inconfidentes e que se tornou representação do Estado. “Liberdade ainda que tardia”. Reconhecimento da gastronomia mineira ainda que tardio.
Esse movimento é a Conspiração Gastronômica, fundada por meio de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), não por acaso, no dia 21 de abril. A luta é para promover, divulgar e preservar os produtos e a cultura gastronômica de Minas Gerais, levando-a para todo o Brasil e exterior.
Para isso, está sendo criado um “selo” que irá reconhecer e classificar os produtos mineiros autênticos e de qualidade. Uma forma de valorizar o produtor e difundir os ingredientes típicos do Estado. É resgatar aquelas tais atividades fabris e artesanais que, carregadas de identidade cultural de um povo, foram proibidas pela Coroa Portuguesa em 1785. É aliar a tradição à modernidade, é acompanhar a evolução mundial da gastronomia, mas sem esquecer suas origens.
A Inconfidência Mineira representa para os mineiros um símbolo de resistência e luta pelos seus direitos. E, assim como aqueles, temos estes outros, os inconfidentes de um novo tempo, por uma nova causa, mas que trazem marcas de um povo sabido e corajoso. Os nossos “Joaquim” são Eduardo Avelar, Eduardo Maya e Ralph Justino.
Cada um tem uma história particular e traz sua história de vida para a Conspiração. Avelar é chef de cozinha e responsável pelo Guia Sabores de Minas, um projeto que, pelo jornal Estado de Minas, viaja por todo o Estado, pesquisando e descobrindo em cada canto as belezas escondidas em nossas cozinhas. Esse trabalho traz para a Conspiração Gastronômica a experiência com mapeamento dos produtos de origem em Minas Gerais.
Já Eduardo Maya, também chef e empresário, é responsável pelo Comida Di Buteco, evento que, há mais de dez anos, vem difundindo a cultura de botecos em Minas Gerais. Com o Comida Di Buteco, o conceito de bares no Estado mudou, uma vez que foi resgatada a bela cultura de botecos. Esse projeto conspira com o resgate da identidade cultural dos mineiros, a forma como Minas se orgulha, por exemplo, de ter bar, e não mar.
E Ralph Justino, um empresário apaixonado por gastronomia, é o idealizador do Festival de Gastronomia de Tiradentes, um evento que faz parte do calendário gastronômico e conhecido por colocar Tiradentes no mapa. Nos dias do festival, a cidade respira o melhor da gastronomia nacional e internacional, permeada pela tradição de Minas Gerais. Esse trabalho mostra a força do Estado ao consolidar sua gastronomia.
A partir dessa aliança, o trio tem conseguido atrair gente de toda a sociedade mineira, pessoas que fizeram e fazem parte da história deste Estado. Mineiros unidos por uma causa, uma nobre causa que tem gosto de queijo e goiabada.

“Ser mineiro é dormir no chão para não cair
da cama. Mineiro não dá ponto sem nó. Não
conversa, confabula. Não combina, conspira.”
Fernando Sabino

*Texto produzido especialmente para Revista Sabores e que divido aqui com vocês...

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