Pular para o conteúdo principal

Entrevistando: Eudes Assis

Quando percebeu que a gastronomia fazia parte de sua vida?
Desde a infância já gostava de estar ao lado da minha mãe na cozinha, observando-a no preparo das refeições.

O que é uma cozinha caiçara? Como você desenvolveu esse estilo?
É uma cozinha com base em ingredientes da costa litorânea. Antigamente, sem acesso de estrada aos centros comerciais, os caiçaras se alimentavam basicamente de pescados, caça, bananas, raízes, palmito e taioba. Minha cozinha é baseada em minha raiz familiar e experiências gastronômicas vividas pelo mundo. Valorizo os ingredientes da minha região com técnicas modernas.

Quais são suas referências na cozinha?
Chefs que enalteceram a gastronomia com ingredientes brasileiros, divulgando para o mundo. Exemplos como Alex Atala, o saudoso Paulo Martins, Roberta Sudbrack e Ivo Faria.

Qual maior desafio vivido até hoje?
Representar o Brasil num evento gastronômico em New Brunswick-EUA,com mais 23 chefs de diversos países.

Como você analisa a evolução e o futuro da gastronomia?
Hoje temos técnicas inovadoras que nos permitem obter um melhor sabor de cada ingrediente. Quanto ao futuro, acho que pode ser cada vez melhor, porém, se tivermos a consciência da sustentabilidade na gastronomia.

Qual sua obra prima?
Minha maior obra prima de vida é o meu filho Leonardo, fonte de inspiração! No restaurante Seu Sebastião, o menu degustação, pequenas porções de peixes e frutos do mar com ingredientes regionais.

Como é seu processo de criação?
Minha qualidade de vida. Morar cercado da Mata Atlântica (Sertão do Cacau-Camburi). Comprar pescados direto da canoa na praia. Viajar e conhecer novas culturas gastronômicas. Prestigiar e trocar ideias com amigos da área. Ler. E estar interado de técnicas e tendências atuais.

O que ama e o que odeia no prato?
Amo o frescor dos ingredientes, defendo que para um bom prato é necessário uma excelente matéria prima. Odeio pratos em excesso, salgados, gordurosos ou mal executados, como ingredientes passados do ponto.

O que te emociona na cozinha?
Criar novos pratos e satisfazer a expectativa dos clientes

O que lhe tira o apetite?
A falta de apoio e recursos para os jovens brasileiros se profissionalizarem, já que a grande maioria não pode pagar uma universidade nesta área.

Você é Feito com Pimenta?
Sim! Adoro!! Como das mulheres: o dedo da moça, de cheiro, biquinho e até a malagueta. Sempre uso uma boa pitada, pimentinha picante!!

Comentários

Anônimo disse…
quem é Eudes Assis? ele é chef de qual restaurante? desculpe, mas fiquei curiosa! rs

marcia
Olá Márcia, ele é um chef que tem conquistado espaço e respeito na gastronomia. Ele é chef do restaurante Seu Sebastião, o link está no texto.. Beijos!
Dulcineia disse…
O blog é ótimo,acompanho a trajetória Chef Eudes e é destaque na gastronomia por seu conceito de cozinha sustentável, o que hoje mais precisamos.
Vale apena conferir esse profissional

Dulcineia
fabiana disse…
Adorei a entrevista!!!
O Eudes é maravilhoso, adoro seu estilo de cozinha singular...
Parabéns pelo Blog Mariana, adorei.

Postagens mais visitadas deste blog

Assa peixe em Sabará

No final de novembro do ano passado estive em Sabará, bem pertinho da capital mineira, para participar do 27º Festival da Jabuticaba. Na época estava em uma correria e acabei não falando uma linha sobre o assunto aqui no blog. E agora vasculhando alguns arquivos achei um material bacana, receitas e dicas que vale contar para vocês. Além de servir de inspiração para participar do próximo festival, a cidade merece ser visitada sempre, pois os produtores artesanais, restaurantes e cozinheiros estão preparados para receber o ano todo.
Para começar, preciso contar a minha maior surpresa por lá, o assa peixe frito. É feito pelo cozinheiro Manoel Ferreira, que trabalha no restaurante do Parque Quinta dos Cristais. Ele conta que aprendeu a cozinhar com a mãe, que o ensinou não só o ofício, mas também o prazer em degustar e identificar os sabores presentes em cada garfada.
Para quem não conhece (assim como eu não conhecia), o assa peixe é uma urtiga, muito usada como planta medicinal. Mas nas m…

Fondue de torresmo

Tem algumas combinações na cozinha que são simplesmente perfeitas e que devem viver em eterna harmonia. Uma delas é angu com torresmo, paixão unânime na minha família. Às vezes, quando vamos para casa (casa dos pais será sempre a nossa casa), minha mãe já deixa o angu pronto, só esperando a nossa chegada. E, como todo clássico, é difícil encarar com riso fácil algum variação ou novidade daquilo que conhecemos desde criança. Mas, aí está a beleza da vida, se permitir a novas experimentações.

Assim conheci o Fondue de torresmo do Bar do Marquim, em Juiz de Fora. Confesso que fiquei ressabiada com a proposta, mas, quando provei, foi de enlouquecer. Angu bem molinho, com bastante queijo e torresmo crocante para mergulhar. Um afago à alma! Fácil, barato, saboroso e com gostinho de lembrança. Uma prova de que a vida pode ser simples e sensacional!
Bar do Marquim Rua Santo Antônio, 10, Centro – Esquina com Rua Paula Lima

Lenda do bacuri

Outra lenda interessante é sobre a origem do bacuri. Dizem que, certo dia, na floresta, apareceu a cabeça de um índio caxinauá, que havia sido degolado por um de seus companheiros. A cabeça aterrorizava a tribo com exigências que deveriam ser cumpridas para evitar que não lhes fosse tirada a vida. Todos deviam buscar, na floresta, um fruto amarelo escuro e manchado, com casca dura e uma polpa deliciosa, vindo de uma árvore cheia de flores avermelhadas. Os índios obedeceram às ordens por muito tempo até que um dia alguém resolveu experimentar o fruto, sendo seguido por todos os outros índios. A cabeça ficou muito brava e se transformou na Lua. Depois disso, sempre que comiam a fruta, davam as costas para Lua.