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Chocolate dos Deuses


Lineu, em 1573, nomeou a árvore de cacau de Theobroma cacao. A designação do gênero (o primeiro nome) vem do grego e significa “alimento dos deuses”. Antes de ser nomeado, em 1554, o cacau foi levado por frades dominicanos da América para a Espanha. Juntos com uma delegação da nobreza maia, os frades apresentaram o chocolate batido para o príncipe Filipe, futuro rei Filipe II, que, segundo historiadores da alimentação, não gostou nem um pouco do produto.
Maias e astecas consumiam o produto batido. Diz-se que os astecas, abstêmios, gostavam da bebida pelo fato de ela não ser alcoólica. Além de triturar a semente para a produção da bebida, usavam-na como moeda. Bebiam o cacahuatl frio. Trituravam as sementes, pulverizavam com água, coavam e filtravam o preparado. Em seguida entornavam o líquido de uma vasilha a outra para a formação de espuma e a bebiam, amarga e fria.
No século XVII, como resultado do processo de colonização, o cacau encontrou-se com o açúcar e passou a ser consumido como bebida quente. Dizem que os espanhóis, que consumiam muita carne e toucinho, tinham “constipação crônica” e buscaram o cacau como laxante. Dizem, também, que a fama de bebida afrodisíaca fundamentava o desejo dos espanhóis em consumi-la. E a nomearam de chocolate por não gostarem de um nome de produto alimentício começado com caca. Afinal, caca sempre foi um vocábulo chulo que, desde o latim, designa fezes. Essa bebida dos deuses não poderia chamar cacahuatl. Chocolate era nome muito mais adequado.
O chocolate tornou-se cada vez mais popular ao longo dos últimos séculos e é uma bebida apresentada em várias versões: ao leite, branco, meio amargo, com amêndoas, avelãs, etc. Tem alto valor calórico e é muito nutritivo. Rico em proteínas, gorduras, cálcio, magnésio, ferro, zinco, caroteno, vitaminas E, B1, B2, B6, B12 e C. Estudos atuais recomendam o consumo moderado do chocolate preto por sua riqueza em flavonóides, com função cardioprotetora. O cacau tem propriedades antioxidantes e o chocolate é produto estimulante devido à teobromina e à cafeína. A sua ingestão faz com que o corpo libere neurotransmissores, como a endomorfina.
Mas e o gosto? É preciso dizer sobre ele, se é o alimento dos deuses?

José Newton Coelho Meneses
Historiador – Departamento de História/FAFICH/UFMG
Meu agradecimeto a José Newton, é uma honra ter sua participação no blog.

Comentários

Luciana disse…
Oi Mariana, muito legal colocar texto de outras pessoas. O espaço está aberto? Abraços.
Samuel disse…
Adorei o texto, muito legal José Newton.
Aline Saluz disse…
Mariana, tem como me passar o contato do historiador. Sabe se ele é pesquisar só de alimentos?
Abraços =)
Oi Luciana, está aberto sim, se quiser, me mande o material para o email que dou uma olhada. Abraços!
Olá Aline, o José Newton foi responsável pela pesquisa que embasou o certificado do modo artesanal de fabricação do queijo minas como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan. Vou verificar se ele tem mais pesquisas nessa área. Me passa seu contato que vamos nos falando. Abraços.

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